O zumbido que ecoou no Projeto N7, na zona rural de Petrolina, neste último domingo, não trouxe o prenúncio de produtividade característico da região, mas sim o pânico de um ataque coordenado. Uma residência na comunidade foi sitiada por um enxame, resultando em duas pessoas feridas e um animal de estimação gravemente atingido. O episódio, embora violento, não é isolado; ele compõe um mosaico de incidentes similares que vêm transformando o cotidiano do Sertão pernambucano em um exercício de sobrevivência contra a fauna local.
A sobrevivência do cão, garantida pelo esforço desesperado dos vizinhos, serviu como um amargo contraste à ausência institucional. Quando acionado, o Corpo de Bombeiros limitou-se ao cumprimento de um protocolo burocrático: a negativa de deslocamento baseada na ausência de vítimas humanas em estado crítico no exato momento da chamada. Essa postura revela uma lacuna perigosa na gestão de crises biológicas urbanas e rurais, onde a assistência é condicionada à gravidade consumada, e não à mitigação do risco iminente ou à proteção do patrimônio e da vida animal.
A reincidência desses ataques no perímetro irrigado de Petrolina levanta questões que ultrapassam o campo do acidente fortuito. Especialistas apontam que fatores climáticos e o desequilíbrio ambiental podem potencializar a agressividade de colmeias em busca de novos territórios. No entanto, a revolta que agora ferve entre os moradores do N7 não se volta contra a natureza, mas contra a inércia administrativa. A comunidade cobra uma revisão das políticas de atendimento, exigindo que o poder público não espere por um desfecho fatal para validar a necessidade de intervenção técnica e proteção civil.





