O silêncio das linhas férreas que cortam o interior do Ceará foi rompido por um som que muitos consideravam um eco distante do passado, mas que agora ressoa como o futuro. Na manhã desta sexta-feira, o município de Iguatu testemunhou um ponto de inflexão em sua história econômica: o desembarque do primeiro comboio de mercadorias via ferrovia Transnordestina. A carga, composta por toneladas de milho oriundas do Piauí, não trouxe apenas insumos para o agronegócio local, mas a prova de que a infraestrutura de alto rendimento pode, finalmente, vencer o isolamento geográfico do sertão.
A operação desafiou as projeções mais otimistas. O percurso, inicialmente estimado em 14 horas, foi concluído em pouco mais de 12 horas, demonstrando uma eficiência técnica que coloca o transporte ferroviário em vantagem direta sobre o modal rodoviário, historicamente sobrecarregado e custoso. Mais do que uma simples entrega de grãos, este movimento valida a viabilidade de um corredor logístico que conecta fronteiras agrícolas em expansão aos centros de consumo e distribuição cearenses.
Este evento marca a transição de um projeto que por anos habitou apenas o papel e os discursos políticos para uma realidade palpável de aço e concreto. A chegada do trem a Iguatu desburocratiza o fluxo de riquezas e propõe um novo ordenamento para o desenvolvimento regional, onde a velocidade e o menor custo por tonelada transportada tornam-se os novos pilares da competitividade. O que se viu no pátio ferroviário nesta manhã foi o início de uma engrenagem que promete integrar o Nordeste ao ritmo das grandes economias globais, transformando a paisagem árida em um corredor de modernidade.





