O que deveria ser um refúgio de preservação ambiental transformou-se em cenário de crime contra a fauna no litoral paraibano. Em uma intervenção realizada no início desta tarde, a Guarda Municipal de Cabedelo desmantelou um esquema de manutenção ilegal de animais silvestres no interior do Condomínio Vilas do Atlântico, localizado no bairro de Intermares. A ação expôs o contraste entre o alto padrão do empreendimento e as condições precárias a que os espécimes eram submetidos.
Ao atenderem ao chamado para o que seria um resgate de rotina, os agentes de segurança depararam-se com uma realidade distinta: os animais não estavam apenas circulando pelo local, mas haviam sido deliberadamente capturados nas áreas verdes do próprio condomínio. O flagrante revelou que o “cativeiro” improvisado consistia em tonéis de lixo, onde as espécies eram mantidas sem qualquer autorização ou critério técnico.
Diante da gravidade da situação, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foi acionado para dar suporte à ocorrência. Os agentes federais confirmaram a caracterização de crime ambiental, baseada na Lei nº 9.605/98, que proíbe a guarda e o manejo de espécimes da fauna silvestre sem a devida permissão das autoridades competentes. Como desdobramento imediato, o condomínio foi autuado administrativamente com uma multa fixada em R$ 17.000,00.
O episódio levanta um debate necessário sobre a responsabilidade ambiental em áreas urbanas de luxo, onde a proximidade com ecossistemas naturais exige uma postura de coexistência, e não de apropriação. Enquanto os animais recuperados passam por avaliação para posterior soltura em seus habitats de origem, o caso segue como um alerta rigoroso de que o status social de um endereço não oferece blindagem contra a legislação ambiental brasileira.





