Rei Charles III diz que “lei deve seguir seu curso”

​Em um desdobramento sem precedentes, o Rei Charles III rompe o silêncio protocolar e endossa a ação policial contra o próprio irmão, investigado por vazamento de segredos de Estado.

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A tranquilidade bucólica de Wood Farm, refúgio histórico da família real em Sandringham, foi interrompida na manhã desta quinta-feira pelo pragmatismo do Estado de Direito. Sob a discrição de viaturas descaracterizadas e agentes à paisana, Andrew Mountbatten-Windsor viu o isolamento da vida pública transmutar-se em custódia policial. A detenção do segundo filho de Elizabeth II, sob a suspeita de má conduta em cargo público, não é apenas um golpe na imagem da monarquia, mas um teste de estresse para a própria integridade das instituições britânicas.

A investigação conduzida pela Polícia do Vale do Tâmisa remete a um passado que a Casa de Windsor tentou, sem sucesso, sepultar. Documentos recentemente desclassificados pela justiça norte-americana sugerem uma promiscuidade informativa perigosa: o repasse de arquivos confidenciais do governo britânico ao financista Jeffrey Epstein. O que antes era um escândalo de ética e associações condenáveis agora migra para o campo da segurança nacional, transformando o “filho favorito” em um potencial risco ao Estado.

“O que se segue agora é o processo completo, justo e adequado pelo qual esta questão será investigada da maneira apropriada e pelas autoridades competentes. Nisto, como já disse antes, contam com o nosso total e irrestrito apoio e cooperação. Deixem-me afirmar claramente: a lei deve seguir o seu curso”.

A reação do Palácio de Buckingham, embora comedida nas palavras, foi cirúrgica na intenção. Ao declarar que “a lei deve seguir seu curso”, Charles III não apenas cumpre o papel de monarca constitucional, mas estabelece uma fronteira ética necessária entre a fraternidade e a coroa. O apoio explícito ao trabalho policial sinaliza que a proteção institucional não será estendida àqueles que, em tese, comprometeram a confiança pública em benefício de alianças sombrias.

Para Andrew, o cerco parece se fechar de forma definitiva. Afastado de suas funções oficiais desde a desastrosa entrevista à BBC em 2019, o duque agora enfrenta o rigor das diretrizes nacionais de custódia, enquanto o silêncio de seus representantes ecoa o peso das evidências que emergem do outro lado do Atlântico. Se a monarquia buscava um caminho de modernização e transparência sob o novo reinado, o episódio desta quinta-feira serve como um lembrete austero de que nenhum título nobiliárquico é capaz de blindar o indivíduo contra o peso de suas escolhas pretéritas.

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