A pacata rotina das primeiras horas desta quarta-feira (28) em Ielmo Marinho, no Rio Grande do Norte, foi rompida pelo estrépito de uma operação policial que mirou o coração do poder executivo municipal. Fernando Batista Damasceno, conhecido politicamente como Fernando de Canto de Moça (MDB), acabou detido em flagrante pela Polícia Civil. O que era para ser o cumprimento de um mandado de busca e apreensão transformou-se em uma cena digna de roteiros policiais de ficção, quando o gestor, ao notar a presença dos agentes, tentou se livrar de evidências comprometedoras arremessando maços de dinheiro e seu próprio aparelho celular para fora de sua residência.
A ação faz parte da Operação Securitas, um desdobramento de investigações que colocam o prefeito no epicentro de uma estrutura de poder paralela. Segundo as autoridades capixabas do Rio Grande do Norte, Damasceno é suspeito de capitanear uma organização criminosa orquestrada para silenciar e intimidar adversários políticos, utilizando-se de métodos escusos para manter o controle da região. O descarte precipitado de objetos não apenas falhou em ocultar possíveis crimes, como serviu de base legal para a prisão em flagrante por embaraço à investigação de organização criminosa.
O episódio levanta um debate urgente sobre a ética e a segurança institucional no interior potiguar. Além do impacto político imediato para o MDB local, a prisão de Fernando de Canto de Moça revela o modus operandi de gestões que confundem o patrimônio público com interesses privados e recorrem à coerção como ferramenta de governança. Com a apreensão do material que o prefeito tentou inutilizar, a Polícia Civil agora busca decifrar as conexões financeiras e os diálogos que podem expandir o alcance da Operação Securitas para outros setores da administração municipal.





