A estratégia de segurança pública brasileira atravessa uma mudança, deslocando o eixo da simples privação de liberdade para o esvaziamento dos cofres das organizações criminosas. Em balanço apresentado nesta terça-feira, em Brasília, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, revelou que o cerco ao patrimônio ilícito resultou na apreensão de R$ 9,5 bilhões em bens durante o ano de 2025. O montante, que engloba frotas de aeronaves, imóveis de luxo e joias, não apenas expõe a capilaridade financeira do crime, mas consolida uma tendência de crescimento exponencial: o valor saltou de menos de R$ 1 bilhão em 2022 para os atuais patamares bilionários.
Essa “descapitalização” é o coração da doutrina atual. Ao converter bens de luxo e capital de giro em ativos sob custódia estatal, a PF busca paralisar a logística dos grupos organizados, que dependem do fluxo de caixa para financiar armamento e logística transnacional. O esforço investigativo foi materializado em quase 4 mil operações deflagradas, que culminaram no cumprimento de 26 mil mandados de prisão e uma vigilância rigorosa sobre o arsenal civil, monitorando mais de 4,5 milhões de armas registradas no país.
Simultaneamente, o impacto operacional da Polícia Rodoviária Federal nas artérias logísticas do país revelou a magnitude do comércio clandestino. O diretor da PRF, Antônio Fernando Souza Oliveira, destacou que o prejuízo imposto às facções através da interceptação de 48 milhões de maços de cigarros e 44 toneladas de cocaína representa um golpe direto na economia subterrânea brasileira. Além do entorpecente, a recuperação de mais de 7 mil veículos e a apreensão de ouro ilícito demonstram que as rodovias continuam sendo o principal palco de escoamento da riqueza marginal.





