A votação na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (27) caminha para um desfecho que exclui as pretensões do PL. Enquanto o governo e os partidos de centro consolidaram um entendimento para aprovar a escala 5×2, o Partido Liberal anunciou que levará ao plenário uma emenda para fixar a jornada de quatro dias trabalhados por três de folga. A postura, contudo, foi recebida com desaprovação pelos demais parlamentares, que interpretam o gesto como uma manobra para inviabilizar o consenso em vez de um esforço real por melhores condições trabalhistas.
A mudança de tom do PL chama a atenção pelo histórico recente da legenda. Antes defensores da manutenção da escala 6×1 ou de modelos baseados no pagamento por hora, os deputados do partido agora abraçam uma proposta mais agressiva que a do próprio campo da esquerda. Erika Hilton (PSOL-SP), autora do projeto original que previa a escala 4×3, criticou publicamente a iniciativa, tratando-a como uma tática de atraso que coloca em risco a possibilidade de aprovar, ainda hoje, o avanço para o modelo 5×2.
Para as lideranças dos partidos que comandam as votações na Casa, o movimento do PL repete uma prática comum em embates econômicos anteriores. Ao propor limites mais amplos do que os apresentados pelo Planalto, como ocorreu na discussão sobre o teto de isenção do Imposto de Renda, a oposição tenta jogar a responsabilidade pela rejeição da medida sobre a base governista. O objetivo, segundo analistas e parlamentares, seria diminuir o desgaste eleitoral da direita diante de uma pauta que se tornou prioridade na agenda do governo para outubro.
Com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), alinhado ao grupo que busca aprovar a escala 5×2, a manobra do PL enfrenta grandes dificuldades para avançar. O clima entre os líderes do bloco de centro é de rejeição à emenda, interpretada como uma forma de tumultuar o processo legislativo. Ao final da sessão, o resultado esperado é a manutenção do texto pactuado, deixando o partido de oposição isolado em sua investida solitária diante da maioria que define os rumos da votação.





