Na manhã desta segunda-feira (23), a Polícia Federal deflagrou a Operação Maat, desferindo um golpe direto na estrutura logística e financeira de uma organização especializada no escoamento de cocaína e haxixe pela região Nordeste. A investigação, desdobramento da Operação Sol Nascente, revelou o funcionamento de uma vasta rede interestadual de negociação, transporte e distribuição de entorpecentes, especialmente cocaína e haxixe. O aprofundamento das apurações ocorreu após a prisão do líder da organização, ocasião em que a extração de dados de celulares revelou toda a contabilidade do tráfico e a logística do grupo.
A ofensiva é o resultado de uma análise técnica minuciosa iniciada na Operação Sol Nascente. Após a captura do principal articulador do grupo, a perícia em dispositivos móveis, recuperados em esconderijos inusitados, permitiu que os investigadores decifrassem planilhas de contabilidade e registros de transporte que antes pareciam fragmentados. O que emergiu dos dados foi um sistema profissional de distribuição que conectava fornecedores e pontos de venda nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco.
Ao todo, 13 mandados de busca e apreensão mobilizam agentes federais em endereços residenciais e comerciais. O foco da Maat vai além da apreensão de entorpecentes: busca asfixiar o braço econômico da quadrilha. Para lavar o dinheiro proveniente do mercado ilícito, o grupo estruturou uma rede de empresas de fachada e utilizava contas bancárias de terceiros. A tática consistia no fracionamento de depósitos, uma tentativa de burlar os mecanismos de controle do sistema financeiro e evitar alertas de movimentações atípicas.
Os alvos da ação agora enfrentam um conjunto de acusações que inclui tráfico interestadual, associação criminosa e falsidade documental. Ao rastrear o caminho do dinheiro, a Polícia Federal sinaliza uma mudança de postura nas investigações locais, priorizando a descapitalização das lideranças em vez de focar apenas no varejo das substâncias. Os materiais coletados nesta manhã devem alimentar novos inquéritos, possivelmente revelando outros nomes envolvidos na blindagem do patrimônio do grupo.





