Parte de um prédio desafa em Recife (PE)

​O desabamento de parte da laje no Edifício Príncipe de Vivar expõe fragilidades estruturais e força a evacuação imediata de dezenas de famílias na Zona Norte do Recife.

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O estalo seco que interrompeu a rotina da Rua Nicarágua na manhã desta segunda-feira (26) não foi apenas um ruído metálico; foi o prenúncio de um colapso que transformou o Edifício Príncipe de Vivar em um cenário de incertezas. O desabamento de parte da estrutura, especificamente uma laje que cedeu em um movimento de balanço, mobilizou o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, forçando 38 moradores a abandonarem suas trajetórias domésticas com apenas o que podiam carregar nas mãos.

 

​A precisão do tempo salvou vidas. O porteiro Davi Marques, com uma década de serviço no local, descreveu o pânico de ver o concreto ceder segundos após o aviso sonoro da estrutura. Relatos de testemunhas sugerem que a área da marquise já apresentava sinais de fadiga estrutural no início do dia, um alerta que se materializou em um estrondo capaz de paralisar o comércio vizinho. Embora houvesse indícios de obras em andamento na edificação, o canteiro estava vazio no exato momento da queda, evitando o que poderia ter sido uma tragédia humanitária.

A operação de resgate, que contou com o suporte de cães farejadores e sete viaturas, confirmou a ausência de vítimas sob os escombros. No entanto, o trauma é visível. Acolhidos no salão de festas de um prédio adjacente, os moradores agora enfrentam a burocracia do deslocamento forçado. A complexidade do incidente exigiu uma manobra tática dos bombeiros para garantir uma rota de fuga segura, desviando os ocupantes das áreas de maior instabilidade enquanto as equipes de engenharia iniciavam a varredura técnica nos 18 andares.

O futuro do Príncipe de Vivar agora repousa sobre cálculos e plantas. Segundo a fiscalização do Crea-PE, o retorno às unidades não é uma questão de dias, mas de diagnósticos. A redistribuição de carga após o colapso de uma laje exige uma análise rigorosa de engenheiros calculistas, que devem confrontar o projeto original com o estado atual da armação. Enquanto a Polícia Civil investiga as responsabilidades através da Delegacia do Espinheiro e a Defesa Civil mantém o isolamento, o episódio reacende o debate sobre o rigor na manutenção de prédios residenciais de médio e grande porte na capital pernambucana.

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