A geopolítica do século XXI acaba de ganhar um capítulo que transita entre o thriller de espionagem e a comédia de erros. Nicolás Maduro, o homem que governou a Venezuela com mão de ferro e um senso rítmico peculiar, descobriu da maneira mais amarga que o Pentágono não possui senso de humor para remixes de internet. O que o herdeiro de Chávez interpretava como uma demonstração de malandragem caribenha, as dancinhas públicas ao som de “Paz, sim, não à guerra”, foi lido em Washington como a gota d’água de uma zombaria diplomática que pedia um desfecho definitivo.
Fontes consultadas pelo The New York Times revelam que o comportamento errático do líder venezuelano, que oscilava entre convocar estudantes americanos para a revolução e cantar “Imagine” (John Lennon) em comícios, serviu como o combustível final para a operação que o capturou em Caracas no último sábado. A estratégia de Maduro de testar o “blefe” da Casa Branca através de coreografias e mensagens natalinas em um inglês claudicante subestimou a paciência de uma administração que, há tempos, monitorava cada giro de quadril no palácio presidencial venezuelano.
O ápice do surrealismo ocorreu na véspera de Natal, quando Maduro dividiu os holofotes com um robô de inteligência artificial em uma feira comercial. Mal sabia o ditador que, enquanto bailava com a máquina sob as lentes da TV estatal, engrenagens muito mais precisas e menos festivas já estavam em movimento para retirá-lo do poder. A retórica do “be happy” e o conselho para que os americanos fossem “felizes como uma minhoca” colidiram com a realidade fria das algemas em uma operação que deixou a segurança chavista atônita.
Aterrissando de forma abrupta na realidade jurídica de Nova York, o cenário agora é de tribunais e uniformes de detento. Maduro, flanqueado por sua esposa Cilia Flores, tentou manter a pose de estadista diante do juiz, insistindo em uma legitimidade que o asfalto de Caracas já não sustenta.
Enquanto se declaram inocentes de acusações que vão do narcotráfico ao porte de armas, o vácuo de poder na Venezuela é preenchido por Delcy Rodríguez em uma presidência interina de futuro incerto, sob a sombra constante de uma intervenção militar que Donald Trump se recusa a descartar.
O espetáculo da queda de Maduro deixa uma lição irônica para os autocratas da era digital: no palco das relações internacionais, trocar a diplomacia tradicional por performances de TikTok pode até gerar engajamento, mas o preço do ingresso costuma ser uma passagem só de ida para o banco dos réus.
O homem que pediu ao mundo que “deixasse os outros serem felizes” agora terá bastante tempo para refletir sobre suas próprias escolhas, em uma cela onde o único som permitido será o do silêncio processual.





