O silêncio do Mearim: bombeiros descartam presença de crianças em mata de Bacabal (MA)

​Após dois meses de buscas, comando da corporação afirma que Ágatha e Allan não estão na floresta; investigação agora se concentra no leito do rio e em possíveis intervenções externas

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​O mistério que envolve o desaparecimento de Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, ganhou contornos de maior complexidade nesta semana. Em um pronunciamento que altera a perspectiva do caso em Bacabal, no Maranhão, o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Célio Roberto Araújo, foi taxativo ao isolar variáveis: as crianças não estão perdidas na vegetação. A conclusão surge após sessenta dias de uma varredura minuciosa que mobilizou centenas de homens e tecnologia de mapeamento.

Da esquerda para direita estão: Anderson Kauan, de oito anos; Ágata Isabelle, de cinco, e Allan Michael, de quatro anos. — Foto: Reprodução/TV MIrante

 

O incidente, ocorrido em 4 de janeiro, permanece sob análise da Polícia Civil. Na data, os irmãos desapareceram junto ao primo, Anderson Kauã, de oito anos. Apenas o mais velho foi resgatado com vida, tornando-se a principal fonte de pistas sobre o trajeto percorrido pelo trio. Segundo o comandante, a utilização de cães farejadores e o monitoramento via aplicativo permitiram descartar a permanência dos menores na área de floresta, uma vez que o terreno foi “palmilhado centímetro a centímetro” sem que qualquer rastro de sobrevivência ou vestígio biológico fosse localizado.

“Casa Caída” – Lugar por onde supostamente as crianças passaram

Um ponto de virada na cronologia dos fatos foi a identificação da chamada “casa caída”, um casebre isolado onde os cães confirmaram a passagem dos três meninos. No entanto, o rastro olfativo das duas crianças menores se separou do primo em um ponto específico. Os animais indicaram que Ágatha e Allan seguiram sozinhos até as margens do Rio Mearim. Essa evidência deslocou o foco das equipes para o ambiente aquático, onde foram empregados sonares e mergulhadores. Apesar do esforço subaquático, não houve confirmação de afogamento ou ataque de animais silvestres, mantendo o desfecho em aberto.

Para Clarice Cardoso, mãe das crianças, a declaração do comando dos bombeiros reforça uma suspeita que ela sustenta desde os primeiros dias: a de que os filhos não estão mais na região por meios próprios. Clarice acredita na possibilidade de que terceiros tenham levado os menores, hipótese que a Secretaria de Segurança Pública trata com cautela, mas que a Polícia Civil mantém no radar das investigações para não eliminar nenhuma linha de apuração.

​Enquanto o aparato estatal busca respostas técnicas, o componente humano da tragédia se manifesta em desabafos públicos. Em suas redes sociais, Clarice compartilhou registros ao lado da filha, Ágatha, pedindo pela restituição da família. O caso agora entra em uma fase de inteligência policial, onde o fluxo das águas do Mearim e as movimentações nas imediações do rio tornam-se os principais elementos para solucionar o desaparecimento que comove o interior maranhense.

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