O apito final para um dos imbróglios jurídicos mais longevos do futebol brasileiro soou nesta semana. Paulo Sérgio Rosa, o Viola, atacante que marcou época pela irreverência e pelo faro de gol, foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a três anos de reclusão. A decisão, embora drástica no papel, carrega o peso de um tempo que parece não ter passado: o processo remonta a um episódio de 2012, quando a vida pessoal do ex-atleta colidiu frontalmente com o rigor do Estatuto do Desarmamento.
A gênese do caso reside em uma crise doméstica ocorrida há 14 anos. Na ocasião, o ex-jogador foi detido após um conflito familiar envolvendo a guarda de seu filho. O que começou como uma ocorrência de desentendimento conjugal terminou com a apreensão, por parte das autoridades, de um arsenal composto por espingarda, revólver e munições. Sob a ótica do Artigo 16 da Lei nº 10.826/03, a posse de armamento sem a devida regulação estatal transformou o ídolo tetracampeão em réu, em um processo que tramitou lentamente pelos corredores do Judiciário paulista.
A Justiça, ao proferir o veredito em 2026, optou por uma saída que equilibra a letra fria da lei com a realidade fática do réu. Como a pena não ultrapassou o teto de quatro anos e o tribunal entendeu que a posse das armas não foi acompanhada de violência direta ou grave ameaça, requisito fundamental para o benefício previsto no Código Penal, a prisão em regime aberto foi substituída por penas restritivas de direitos. Na prática, o carrasco das defesas adversárias troca o confinamento pela prestação de serviços à comunidade ou limitações de fim de semana.
Este desfecho levanta uma reflexão sobre a morosidade do sistema penal brasileiro, que levou quase uma década e meia para encerrar um ciclo punitivo. Para Viola, o veredito é o epílogo de um capítulo obscuro que manchou a trajetória de um dos personagens mais folclóricos do esporte nacional. A condenação serve como um lembrete de que, fora das quatro linhas e longe do clamor das arquibancadas, o rigor do Estatuto do Desarmamento não admite as improvisações que o craque costumava desfilar nos gramados.





