A pacata Bananeiras reafirma sua posição como polo de resistência cultural no interior da Paraíba. Neste sábado, 14, o Hostel Cenário & Boteco transforma-se em sala de projeção para a abertura da temporada 2026 do projeto Cinema no Cenário. Às 19h, o público poderá conferir Rebento (2018), obra que marcou a estreia do diretor André Morais no formato de longa-metragem de ficção e que, desde seu lançamento, acumulou uma trajetória robusta por festivais ao redor do globo.
Idealizado pela empresária Sulamita Nóbrega, o projeto foca na valorização da identidade regional, selecionando mensalmente títulos que tragam a assinatura de realizadores locais ou que destaquem profissionais do estado em funções técnicas e artísticas. Sob a curadoria técnica do cineasta e professor Bertrand Lira, a iniciativa planeja um semestre de fôlego, garantindo até maio a exibição de outros títulos expressivos como Outono em Gotham City, de Tiago A. Neves, e Corpo da Paz, de Torquato Joel.

Rebento não é apenas um exercício estético de baixo orçamento, mas um fenômeno de reconhecimento. Com 27 prêmios no currículo, o filme iniciou sua jornada na prestigiada Mostra de Cinema de Tiradentes e alcançou palcos internacionais, vencendo categorias de Melhor Filme em Nova Delhi, na Índia, e recebendo o Prêmio Especial do Júri no Los Angeles Brazilian Film Festival, na Califórnia. A força da narrativa também ecoou em Lisboa e na Itália, onde foi condecorado por sua montagem e direção estreante.

A trama mergulha em uma atmosfera de mistério psicológico. Acompanhamos uma mulher, interpretada por Ingrid Trigueiro, conhecida por sua atuação em Bacurau, que, após um ato extremo, rompe com sua estrutura familiar para vagar pelo desconhecido. O roteiro de Morais opta por não entregar respostas fáceis sobre motivações ou origens, preferindo que o espectador respire junto com a protagonista em planos-sequência que privilegiam a entrega do elenco.

A produção conta com nomes fundamentais do cinema brasileiro, como Zezita Matos e Fernando Teixeira, figuras que conferem peso dramático à investigação que o filme propõe sobre os dogmas do universo feminino. No contexto atual, em que as janelas de exibição para o cinema independente muitas vezes se restringem ao circuito de festivais, a iniciativa em Bananeiras permite que obras de alta densidade artística encontrem novos olhares fora das capitais, fortalecendo a circulação do pensamento cinematográfico feito na Paraíba.
Com assessoria





