A capital federal respira a ansiedade do primeiro grande veredito do futebol brasileiro em 2026. Neste domingo, às 16h, o gramado da Arena BRB Mané Garrincha deixa de ser apenas palco para se tornar o epicentro de uma rivalidade que move quase metade dos torcedores do país. O embate entre Flamengo, atual campeão brasileiro, e Corinthians, detentor da Copa do Brasil, transcende a disputa de um troféu; é o termômetro inicial para duas gestões que buscam a hegemonia nacional.
O componente financeiro adiciona uma camada extra de tensão ao confronto. A CBF elevou o sarrafo, estabelecendo uma premiação recorde de R$ 11,22 milhões para o vencedor. O reajuste, embora discreto em termos percentuais em relação aos anos anteriores, simboliza a valorização comercial de um torneio que se consolidou como a abertura de gala do calendário esportivo.
Do ponto de vista técnico, o mistério é o protagonista. Filipe Luís, agora estrategista consolidado no banco rubro-negro, mantém o suspense sobre a utilização de Lucas Paquetá. Aos 28 anos, o meia retorna ao clube que o formou sob uma expectativa febril. Relacionado e devidamente registrado, o jogador personifica a esperança da “Nação” em manter o troféu no Rio de Janeiro e ampliar o domínio histórico do clube, que já soma três conquistas (2020, 2021 e 2025).
Pelo lado paulista, a resposta ao favoritismo carioca vem em forma de renovação. O técnico do Corinthians sinaliza a possível estreia do atacante Kaio César, peça-chave para dar verticalidade ao time que busca quebrar um jejum na competição. O Timão carrega o simbolismo de ter vencido a edição de 1991 exatamente contra o Flamengo, fato que alimenta a narrativa de revanche e equilíbrio histórico.
A atmosfera em Brasília começou a ser desenhada ainda na tarde de sábado, com recepções calorosas no aeroporto, refletindo os números da última pesquisa da CBF: um país dividido entre os 26% de preferência flamenguista e os 19% corintianos. Antes de a bola rolar, o entretenimento fica a cargo do piseiro de João Gomes, escalado para o show de abertura às 15h, tentando arrefecer os ânimos de uma plateia que promete lotação esgotada.
Se os 90 minutos terminarem sem um vencedor, o destino da taça será selado na marca do pênalti, sem prorrogação. É o cenário ideal para o drama que o torcedor brasileiro conhece bem: a distância entre o topo do pódio e o vice-campeonato resumida a onze metros de distância.





