O legado silencioso de Tairone Feitosa: o Sertão perde sua pena mais fiel

​Roteirista que traduziu a alma nordestina para as telas faleceu aos 83 anos, deixando uma obra que uniu o popular ao erudito no cinema nacional

Compartilhe o Post

​O cenário audiovisual brasileiro registrou uma perda significativa no último domingo (12). Tairone Feitosa, cineasta e roteirista alagoano natural de Delmiro Gouveia, despediu-se aos 83 anos em decorrência de complicações de saúde. Sua partida encerra um ciclo de mais de cinquenta anos dedicados à lapidação de histórias que transportaram a estética e as contradições do semiárido para o grande público, sem jamais abrir mão da autenticidade que o berço sertanejo lhe conferiu.

​Feitosa não se limitou a um único suporte. Sua trajetória profissional foi marcada pela versatilidade, transitando com fluidez por palcos de circo, estúdios de rádio, televisão e teatro antes de consolidar seu nome como uma das mentes mais respeitadas na escrita cinematográfica. Essa pluralidade de experiências permitiu que seus textos tivessem uma sonoridade única, capaz de captar os matizes da fala e do comportamento humano de forma direta e sem rebuscamentos desnecessários.

​Na história do cinema nacional, sua assinatura está presente em obras que hoje figuram como pilares da produção brasileira. Colaborações em filmes como “O Homem da Capa Preta” e “Luzia-Homem” demonstram sua habilidade em equilibrar o rigor histórico com a narrativa ficcional. Na televisão, o roteirista ajudou a definir o formato das minisséries de qualidade, com participações em produções como “Rabo de Saia”, que exploravam a brasilidade sob ângulos pouco convencionais para a época.

​O trabalho de Tairone Feitosa permanece como um registro vigoroso de um Brasil que resiste. Ao longo das décadas, ele evitou o isolamento intelectual, mantendo os olhos voltados para as manifestações culturais que moldaram sua identidade. Sua ausência será sentida não apenas nos sets de filmagem, mas em cada linha de diálogo que busca, no cotidiano do povo, a matéria-prima para a arte.

Compartilhe o Post

Mais do Nordeste On.