O fim do “Sicário”: morte de operador revela os bastidores da espionagem clandestina no Brasil

​Apontado como o braço executivo de uma organização criminosa infiltrada em sistemas de alta segurança, Luiz Phillipi Mourão morre sob custódia após operação da Polícia Federal

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A confirmação da morte encefálica de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido no submundo do crime e da inteligência paralela pelo codinome “Sicário”, encerra de forma abrupta um dos capítulos mais sensíveis das recentes investigações sobre lavagem de dinheiro e espionagem no país. Preso durante a Operação Compliance Zero, Mourão não resistiu às consequências de um atentado contra a própria vida, ocorrido enquanto estava sob a guarda do Estado em Belo Horizonte.

​Sua figura, até então operando nas sombras, emergiu como o eixo central de um grupo autodenominado “A Turma”. Longe de ser um mero comparsa, Sicário era o arquiteto de uma estrutura de monitoramento que desafiava a soberania de instituições fundamentais. Segundo as investigações, ele possuía uma capilaridade técnica alarmante, logrando acesso indevido a bancos de dados restritos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de agências estrangeiras de elite, como o FBI e a Interpol.

​A atuação de Mourão transcendia a simples extração de dados. Ele gerenciava uma espécie de “limpeza digital” para os interesses do grupo, coordenando a derrubada de perfis em redes sociais e a neutralização de críticas incômodas. O relatório de inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais, baseado em conteúdos recuperados de seu aparelho celular, descreve um líder metódico que, mesmo tentando apagar seus rastros, mantinha o controle absoluto sobre as operações ilícitas e a mobilização de equipes de campo.

​A face mais violenta da organização, no entanto, apareceu em diálogos interceptados que sugerem o planejamento de ações punitivas contra a imprensa. Em um dos episódios mais graves, Sicário discutia com o banqueiro Vorcaro a organização de um ataque físico contra o jornalista Lauro Jardim, evidenciando que o monitoramento de dados servia de prelúdio para a intimidação real.

​Além da espionagem, Mourão carregava o peso de acusações financeiras vultosas. O Ministério Público de Minas Gerais detalhou uma movimentação de R$ 28 milhões através de uma pirâmide financeira disfarçada de investimentos legítimos. O esquema, que operou intensamente entre 2018 e 2021, utilizava a triangulação entre pessoas jurídicas para ocultar o rastro do dinheiro, uma técnica clássica de lavagem que, para os investigadores, era apenas mais uma ferramenta no arsenal de um homem que começou sua trajetória no mercado informal da agiotagem antes de se tornar o guardião dos segredos de “A Turma”.

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