O fim da linha para o “ideólogo do planalto”: Filipe Martins é preso pela Polícia Federal

​Ex-assessor de Bolsonaro, condenado a 21 anos de prisão, descumpriu medidas cautelares e foi alvo de nova ordem de prisão do STF

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A engrenagem do Judiciário voltou a se fechar sobre Filipe Martins nesta sexta-feira (2/1). O ex-assessor especial da Presidência, figura central no xadrez político que cercava Jair Bolsonaro, foi preso preventivamente pela Polícia Federal após ignorar sistematicamente as restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, não é apenas um ato processual; é a resposta institucional ao que o magistrado descreveu como um “total desrespeito” às normas democráticas.

Martins não é um coadjuvante qualquer na crônica recente do Brasil. Condenado a 21 anos de reclusão, ele é apontado como uma das peças fundamentais do chamado “núcleo 2” da trama golpista. Segundo as investigações e a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, coube a Martins a tarefa de apresentar a Bolsonaro a “minuta do golpe”, um documento que pretendia subverter o resultado das urnas em 2022.

A gravidade das acusações que sustentam sua condenação impressiona pela abrangência:

​• A Minuta e o Monitoramento: Elaboração de textos para intervenção institucional e monitoramento de autoridades.

• O Plano Letal: Participação em articulações que previam o assassinato do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e do próprio ministro Alexandre de Moraes.

• Logística Eleitoral: Interferência na Polícia Rodoviária Federal (PRF) para sabotar o fluxo de eleitores no Nordeste durante o pleito de 2022.

A trajetória de Martins sempre foi marcada por uma aura de intelectualidade conservadora. Graduado em Relações Internacionais pela UnB e poliglota, ele circulou por espaços de prestígio, como a Embaixada dos Estados Unidos e o partido PSL, antes de se tornar o “guru” de assuntos internacionais no Palácio do Planalto.

No entanto, sua ascensão foi acompanhada de polêmicas ideológicas profundas. Em 2021, Martins foi centro de um escândalo no Senado ao reproduzir um gesto associado a supremacistas brancos. Embora tenha sido absolvido na esfera criminal por esse episódio específico, a mancha em sua biografia política tornou-se indelével, reforçando sua imagem como um radical orgânico da ala ideológica bolsonarista.

O que motivou a prisão desta sexta-feira foi a incapacidade do ex-assessor de se manter em silêncio digital. Ao utilizar as redes sociais, Martins violou a medida cautelar que era o último obstáculo entre sua liberdade e o cárcere. Para o STF, a conduta de Martins não foi um deslize técnico, mas uma afronta deliberada ao ordenamento jurídico.

A prisão preventiva marca um novo capítulo para o grupo que orbitava o poder em 2022. Com o cumprimento da ordem pela PF, o “professor” de política internacional agora enfrenta o rigor de uma sentença que simboliza o esforço das instituições em punir as tentativas de ruptura democrática no país.

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