O cinema brasileiro perdeu, nesta segunda-feira (23), uma de suas mentes mais inquietas e colaborativas. Sérgio Oliveira, diretor, roteirista e produtor fundamental para a consolidação do polo cinematográfico pernambucano, faleceu aos 65 anos no Rio de Janeiro. Natural de Caruaru, Oliveira estava a poucos dias de celebrar seu 66º aniversário, mas sua trajetória já estava devidamente eternizada nas telas, marcada por uma busca incessante por novas linguagens e pela força da produção independente.
Sua assinatura artística não era solitária; era simbiótica. Ao lado de Renata Pinheiro, com quem fundou a Aroma Filmes, Oliveira ajudou a moldar a estética do cinema contemporâneo do Nordeste. Juntos, entregaram obras que desafiaram gêneros e fronteiras, como o visceral Açúcar, a alegoria distópica Carro Rei e o recente Lispectorante. Antes disso, sua sensibilidade já havia se destacado em produções como Amor, Plástico e Barulho, onde o som e a imagem se fundiam para retratar as periferias culturais com dignidade e crueza.
Para além da ficção, Sérgio Oliveira foi um mestre do olhar documental e da estrutura narrativa. Sua estreia em longas-metragens com Estradeiros revelou um diretor capaz de captar a errância e a alma do Brasil profundo, algo que reiterou na direção de Super Orquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos. Como roteirista, contribuiu para a densidade de Sangue Azul, dirigido por Lírio Ferreira, consolidando-se como um dos arquitetos do pensamento cinematográfico de sua geração.
O reconhecimento de sua importância transcendeu a crítica especializada, manifestando-se em homenagens institucionais da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e do festival CINE/PE. Mais do que prêmios ou títulos, Sérgio Oliveira deixa um vácuo no fazer cinematográfico que privilegia o risco sobre o óbvio. Sua partida mobiliza o meio audiovisual não apenas pelo luto, mas pelo desafio de manter viva a chama de um cinema que se recusa a ser meramente entretenimento, mantendo-se como ferramenta política, social e, acima de tudo, humana.





