O Autódromo de Interlagos, tradicionalmente o palco onde carros correm em círculos, se prepara para receber a partir desta sexta-feira (20) uma multidão que prefere correr atrás de sinal de 5G e do melhor ângulo para o Reels. O Lollapalooza 2026 desembarca em São Paulo com a missão hercúlea de provar que o algoritmo do Spotify finalmente tomou controle total da realidade física. Pelos próximos três dias, a zona sul da capital deixará de ser o território do ronco dos motores para se tornar a residência oficial de quem não sobrevive sem um gloss labial e uma batida sintética de qualidade.
A grande expectativa gira em torno de Sabrina Carpenter, que após passar o último ano abrindo shows e sendo a “convidada de honra” da realeza pop, finalmente assume o trono em solo brasileiro. Ela, que já provou que o público local sabe cantar até suas respirações, chega com o status de quem não precisa mais pedir licença para servir hits. Ao lado dela, Chappell Roan e Tyler, The Creator formam o tripé que sustenta a sanidade, ou a falta dela, dos pagantes que enfrentaram as taxas de conveniência sem reclamar (muito). Para os nostálgicos que ainda usam delineador preto e ignoram o sol do meio-dia, o Deftones surge como o lembrete necessário de que o rock ainda respira, mesmo que precise de um inalador entre um solo e outro.
Contudo, a verdadeira curiosidade da edição atende pelo nome de DJO. Para os desavisados ou para quem ainda vive em 2019, trata-se de Joe Keery, o rapaz que sobreviveu a monstros em Stranger Things apenas para descobrir que o topo do Spotify Global é um lugar muito mais assustador. Após dominar as paradas com um sucesso que pegou até os algoritmos de surpresa, o ator-cantor troca o spray de cabelo dos anos 80 pelas picapes de Interlagos. É a prova definitiva de que, em 2026, você não é ninguém se não tiver pelo menos uma música que sirva de trilha sonora para vídeos de 15 segundos na internet.
Com mais de 30 artistas espalhados pelo evento, o festival se desenha como um teste de resistência física e paciência social. Entre o K-pop globalizado do Katseye e a poeira clássica da zona sul, o público terá que decidir entre a hidratação e a grade do palco principal. No final das contas, o Lollapalooza continua sendo aquele exercício antropológico fascinante: milhares de pessoas pagando caro para dizer que estiveram lá, enquanto tentam desesperadamente não derrubar o celular no lamaçal que o clima de São Paulo certamente providenciará.
Confira as atrações:
Sexta-feira (20)
– 12h – 89 FM;
– 12h – Camila Jun;
– 12h45 – Stefanie;
– 12h45 – Worst;
– 13h – Bruna Strait;
– 13h40 – Terraplana;
– 14h15 – ATKÖ;
– 14h45 – Negra Li;
– 14h45 – Scalene;
– 15h30 – Aline Rocha;
– 16h55 – Blood Orange;
– 15h50 – Viagra Boys;
– 16h45 – Hosergirl;
– 16h55 – Ruel;
– 18h – Interpol;
– 18h – DJ Diesel;
– 19h05 – Doechii;
– 19h05 – Men I Trust;
– 19h15 – Bunt;
– 20h10 – Deftones;
– 20h30 – Ben Böhmer;
– 21h30 – Sabrina Carpenter;
– 21h30 – Edson Gomes;
– 22h15 – Kygo.
Sábado (21)
– 12h – Hurricanes;
– 12h – Blackkat;
– 12h45 – Jadsa;
– 12h45 – Artur Menezes;
– 13h00 – Marcelin O Brabo;
– 13h40 – Varanda;
– 14h15 – Crizin da Z.O.;
– 14h45 – Agnes Nunes;
– 14h45 – Cidade Dormitório;
– 15h30 – Febre90s;
– 15h50 – Foto em Grupo;
– 16h45 – N.I.N.A;
– 16h55 – Marina;
– 16h55 – The Warning;
– 18h – Hamdi;
– 18h – Cypress Hill;
– 19h05 – Lewis Capaldi;
– 19h05 – TV Girl;
– 19h15 – 2hollis;
– 20h10 – Skrillex;
– 20h30 – MU540;
– 21h30 – Chappell Roan;
– 21h30 – Riize;
– 22h – Brutalismus 3000.
Domingo (22)
– 12h – Jonabug;
– 12h – Flávia Durante;
– 12h45 – Papisa;
– 12h45 – Papangu;
– 13h – Entropia;
– 13h40 – Nina Maia;
– 14h – Analu;
– 14h45 – Mundo Livre S/A;
– 14h45 – Balu Brigada;
– 15h15 – Alírio;
– 15h50 – Royel Otis;
– 16h30 – Idlibra;
– 16h55 – DJO;
– 16h55 – Oruã;
– 17h45 – Zopelar;
– 18h – Addison Rae;
– 19h – R.Ö.Z.;
– 19h05 – FBC;
– 20h10 – Lorde;
– 20h15 – ¥UUK€ ¥UK1MATSU;
– 21h30 – Tyler, The Creator;
– 21h30 – Katseye;
– 21h45 – Peggy Gou.





