Na presidência da Venezuela Delcy Rodríguez propõe trégua a Trump sob a sombra da extradição de Maduro

​Após captura cinematográfica do líder chavista e bombardeios na capital, nova presidência tenta converter a iminência da guerra em mesa de negociações.

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A geografia política da Venezuela sofreu uma grande ruptura nas últimas 48 horas, deslocando o eixo do poder de um palácio sitiado para uma cela em Manhattan. Com Nicolás Maduro sob custódia em solo americano, a presidente em exercício, Delcy Rodríguez, assumiu o protagonismo de uma nação em estado de choque, disparando neste domingo (5) um manifesto diplomático endereçado diretamente à Casa Branca. A carta aberta a Donald Trump não é apenas um pedido de paz; é uma manobra de sobrevivência que tenta equilibrar a fidelidade ao legado chavista com a urgência de estancar a ofensiva militar e econômica de Washington.

A ascensão de Delcy, chancelada pelo alto comando militar, ocorre em um cenário de escombros. Enquanto Caracas ainda contabiliza os danos dos ataques aéreos realizados no sábado, a retórica vinda do Salão Oval permanece incisiva. Trump, mantendo a pressão máxima, já sinalizou que a leniência não faz parte do seu roteiro atual, condicionando a estabilidade da nova gestão à total cooperação com os interesses norte-americanos. Em resposta, a dirigente venezuelana evoca o princípio da não ingerência, tentando transformar o trauma da “retirada forçada” de seu antecessor em um argumento pela soberania regional.

O Secretário de Estado, Marco Rubio, delineou a estratégia de asfixia que deve acompanhar o processo judicial de Maduro: o uso do petróleo como ferramenta de contenção política. Ao afirmar que os EUA não pretendem administrar o território vizinho, Rubio transfere o ônus da governabilidade para Delcy, enquanto mantém o controle das válvulas financeiras do país. O Tribunal Distrital Federal de Manhattan torna-se, assim, o segundo palco deste conflito, onde o destino jurídico de Maduro servirá de termômetro para as relações diplomáticas no hemisfério.

O texto de Rodríguez, que prega uma “agenda de colaboração”, carrega o desafio hercúleo de desarmar uma bomba relógio. Ao propor um canal de diálogo em meio a ameaças de “preços altos” a serem pagos, a presidente interina busca uma saída honrosa que evite o conflito armado total. O desfecho desta crise agora depende da sensibilidade de Washington em aceitar uma transição negociada ou da insistência em uma ruptura que pode remodelar, de forma imprevisível, a estabilidade da América Latina.

Leia a íntegra da carta:

“A Venezuela reafirma sua vocação de paz e de convivência pacífica. Nosso país aspira viver sem ameaças externas, em um ambiente de respeito e cooperação internacional. Acreditamos que a paz global se constrói garantindo primeiro a paz de cada nação.

Consideramos prioritário avançar para um relacionamento internacional equilibrado e respeitoso entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da Região, baseado na igualdade soberana e na não ingerência. Esses princípios orientam nossa diplomacia com o restante dos países do mundo.

Estendemos o convite ao governo dos EUA para trabalharmos conjuntamente em uma agenda de cooperação, voltada ao desenvolvimento compartilhado, no marco da legalidade internacional e que fortaleça uma convivência comunitária duradoura.

Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra. Esse sempre foi o predicamento do Presidente Nicolás Maduro e é o de toda a Venezuela neste momento. Essa é a Venezuela em que acredito, à qual dediquei minha vida. Meu sonho é que a Venezuela seja uma grande potência onde todos os venezuelanos e venezuelanas de bem possamos nos encontrar.

A Venezuela tem direito à paz, ao desenvolvimento, à sua soberania e ao futuro.

 

Delcy Rodríguez, presidente em exercício da República Bolivariana da Venezuela”

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