Longevidade com estratégia: Saúde atualiza diretrizes para monitoramento da terceira idade no Brasil

​Nova Caderneta da Pessoa Idosa amplia escopo para além do prontuário médico, integrando vulnerabilidade psicossocial, prevenção de abusos e suporte digital em uma rede de proteção aos 32 milhões de brasileiros acima de 60 anos.

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O conceito de envelhecer no Brasil ganha uma nova ferramenta de gestão nesta sexta-feira (2). O Ministério da Saúde lançou a versão reformulada da Caderneta da Pessoa Idosa, um documento que deixa de ser um mero repositório de vacinas para se transformar em um guia estratégico de sobrevivência e dignidade. Com uma abordagem que reconhece a complexidade da longevidade, o material agora abraça temas sensíveis como saúde mental, o direito a cuidados paliativos e, crucialmente, diretrizes para a identificação e prevenção de violência doméstica e social contra esse público.

A atualização surge como uma resposta necessária à transição demográfica acelerada do país. Mais do que organizar o histórico de consultas e exames, a nova estrutura introduz o Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional (IVCF-20). Trata-se de um mecanismo de triagem capaz de antecipar riscos de fragilidade, permitindo que as equipes de saúde do SUS abandonem a postura reativa e passem a operar com medicina preventiva e personalizada, identificando quem precisa de intervenção domiciliar ou acompanhamento intensificado.

O design do material também foi repensado para romper barreiras cognitivas e sensoriais. A inclusão de fontes ampliadas, ilustrações intuitivas e a integração de QR codes conecta o suporte físico, que será distribuído nacionalmente, ao ecossistema digital do governo. A expectativa é que, em breve, todos os dados estejam centralizados no aplicativo Meu SUS Digital, facilitando o compartilhamento de informações entre cuidadores, familiares e médicos, independentemente da unidade de atendimento.

Ao integrar a seguridade social ao prontuário clínico, o Ministério reconhece que a saúde na terceira idade é indissociável das condições de vida e do acesso aos direitos fundamentais. Em um país com mais de 32 milhões de cidadãos na faixa dos 60 anos ou mais, a caderneta se propõe a ser o fio condutor de uma rede de apoio. Ela não apenas registra o envelhecimento biológico, mas atua como um instrumento de cidadania, garantindo que o histórico do paciente sobreviva à fragmentação do sistema público de saúde e se torne um patrimônio de quem o carrega.

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