O horizonte do bairro Pajuçara, na Zona Norte de Natal, foi tomado por uma densa cortina de fumaça na tarde desta terça-feira (24). O que deveria ser o estágio avançado da construção de um dos maiores monumentos religiosos do Brasil, a estátua de Nossa Senhora de Fátima, transformou-se em um cenário de destruição. Um incêndio de proporções severas consumiu a estrutura, que já alcançava 35 metros de altura sobre uma base de 8 metros, mobilizando cerca de 20 militares do Corpo de Bombeiros para conter o avanço das chamas.
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Segundo informações da Secretaria de Infraestrutura do município, o fogo começou após um curto-circuito em uma máquina de solda operada no local. A propagação foi quase instantânea, alimentada pela natureza altamente inflamável dos materiais que compunham a escultura: uma combinação de isopor, fibra e resina. O saldo humano, felizmente, limitou-se a uma vítima com queimaduras leves nas mãos, atendida prontamente pelas equipes do Samu sem riscos maiores à saúde.
A obra, assinada pelo artista plástico Ranilson Viana Barbosa, natural de Petrolina e reconhecido por sua atuação no sertão pernambucano, representa um investimento estimado em R$ 15 milhões. Diante do revés, o artista comunicou, via gestão municipal, que assumirá a responsabilidade integral pela recuperação da escultura. A medida visa garantir que o cronograma seja retomado sem gerar novos ônus financeiros aos cofres públicos da capital potiguar.
Além do prejuízo material, o episódio gerou um forte abalo simbólico na comunidade local. A estátua era aguardada como um novo polo de turismo religioso e um marco de identidade para a região. Enquanto a Polícia Científica trabalha na perícia final para ratificar as causas oficiais, o projeto agora enfrenta o desafio de renascer das cinzas, sob o olhar atento de uma população que viu o esforço de meses ser tragado pelo fogo em poucos minutos.





