O combate ao racismo no futebol atravessa um momento de transição em que a retórica das notas de repúdio começa a ser substituída pelo rigor das sentenças judiciais e novas diretrizes institucionais. O cenário global, marcado por episódios recorrentes envolvendo figuras como Vinícius Júnior e jovens promessas como o atacante Luighi, forçou entidades como a FIFA e a CBF a endurecerem seus regulamentos. Atualmente, o esporte não se limita a campanhas de conscientização, mas adota medidas práticas como o gesto universal de braços cruzados para denunciar ofensas em campo e a previsão de perda de pontos para clubes cujas torcidas ou atletas cometam atos discriminatórios.
Essa mudança de paradigma reflete uma pressão crescente da sociedade e do sistema jurídico, que passou a tipificar a injúria racial em estádios como crime de racismo, elevando as penas e eliminando a sensação de impunidade que historicamente protegia as arquibancadas. No Brasil, a nova Lei Geral do Esporte estabelece sanções severas, enquanto na Europa as primeiras prisões efetivas de torcedores na Espanha e na Itália sinalizam que o custo do preconceito tornou-se juridicamente alto. No entanto, especialistas alertam que a punição é apenas uma das frentes de uma batalha que exige a democratização das estruturas de poder, visto que a presença de pessoas negras em cargos de diretoria e comando técnico ainda é desproporcional à maioria que compõe os gramados.
O futebol, portanto, deixa de ser apenas um espaço de entretenimento para se consolidar como uma arena de disputa por direitos civis. O enfrentamento liderado por atletas que se recusam ao silêncio está redefinindo o produto futebolístico, obrigando patrocinadores e ligas a escolherem entre a conivência e a modernização ética. A luta antirracista no esporte hoje é um processo multidimensional que une educação, tecnologia de monitoramento nos estádios e a aplicação implacável da lei, visando um futuro onde o talento não precise mais dividir espaço com a hostilidade racial.





