A tranquilidade da Rua da Pituba, um dos endereços mais emblemáticos de Itacaré, no sul da Bahia, foi rompida por um episódio de violência que agora mobiliza as autoridades locais. Na última sexta-feira (6), o que deveria ser um fluxo normal de turistas transformou-se em um cenário de depredação e intolerância. Relatos colhidos no local indicam que um grupo de turistas israelenses iniciou uma série de atos de vandalismo, destruindo vasos de plantas que adornavam a via pública, gerando indignação entre moradores e trabalhadores da região.
A tentativa de mediação partiu de uma mulher que, ao notar a destruição, buscou dialogar em inglês para conter os danos. A resposta, contudo, foi física: um dos homens arremessou o próprio aparelho celular contra a cabeça dela. Ao presenciar o ataque, uma vendedora ambulante que trabalhava nas proximidades acionou a câmera de seu telefone para registrar o flagrante. Foi nesse momento que a violência escalou. Um segundo integrante do grupo tomou o aparelho das mãos da trabalhadora e o lançou com força contra o seu rosto.
O impacto severo resultou em uma fratura no nariz e um corte profundo que exigiu atendimento emergencial do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No hospital, a vítima precisou de seis pontos para fechar o ferimento. Além das lesões físicas, o depoimento da ambulante traz um componente ainda mais grave ao caso: durante a confusão, membros do grupo teriam imitado sons de macaco, direcionando gestos racistas contra ela e as demais pessoas envolvidas.
O episódio levanta um debate necessário sobre os limites do comportamento de visitantes em destinos turísticos e a vulnerabilidade de profissionais que mantêm a economia local. O caso está sob os cuidados da Polícia Civil, que busca identificar todos os envolvidos através de imagens de segurança e depoimentos. A investigação deve apurar não apenas os crimes de lesão corporal e dano ao patrimônio, mas também o crime de racismo, que no ordenamento jurídico brasileiro é inafiançável e imprescritível.





