Vídeo: Entre o “espetáculo” e a omissão. Briga de mulheres no Aluízio Campos (CG) escancara a cultura do voyeurismo digital

​Confronto físico em praça pública de Campina Grande expõe a passividade de espectadores que priorizam o registro em vídeo à intervenção humanitária.

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A noite da última quarta-feira (21) no Complexo Habitacional Aluízio Campos, em Campina Grande (PB), transcendeu o mero registro de um desentendimento interpessoal para se tornar um sintoma social preocupante. O que começou como uma discussão entre mulheres rapidamente escalou para agressões físicas em uma das praças do conjunto, mas o que realmente magnetizou a atenção das redes sociais não foi apenas a violência em si, mas o comportamento gélido de quem assistia à cena.

Veja o vídeo:

As imagens que circulam nos canais digitais revelam um cenário de hostilidade explícita, onde empurrões e golpes substituíram o diálogo. Contudo, o elemento mais disruptivo da narrativa é a moldura humana ao redor do conflito. Em vez de uma mobilização para dispersar a briga ou mediar os ânimos, observa-se uma plateia estática, mais ocupada em garantir o melhor ângulo para a lente do celular do que em exercer qualquer tentativa de pacificação. A omissão dos presentes permitiu que o confronto se prolongasse, transformando uma crise pessoal em um conteúdo de entretenimento efêmero para o consumo virtual.
​Este episódio no Aluízio Campos reitera um fenômeno contemporâneo onde a realidade só ganha relevância quando mediada por uma tela. A espetacularização da violência urbana, agora descentralizada e produzida por cidadãos comuns, levanta questões éticas sobre a responsabilidade coletiva. Quando a curiosidade mórbida supera o instinto de preservação do outro, a segurança pública deixa de ser apenas uma questão de policiamento para se tornar um desafio de empatia e civismo básico. Enquanto as autoridades locais processam as informações sobre o ocorrido, o vídeo permanece como um incômodo espelho de uma sociedade que, por vezes, prefere ser testemunha passiva do caos a ser agente da ordem.

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