A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 entrou em sua fase mais aguda, e o silêncio em torno do nome de Neymar começa a ecoar mais forte que seus antigos gols. O que antes seria impensável, uma Seleção Brasileira sem o seu “camisa 10”, agora ganha contornos de realidade estatística. Afastado dos gramados internacionais desde o final de 2023 por uma sucessão de lesões e uma queda de performance que o trouxe de volta ao Santos, o atacante enfrenta agora um adversário simbólico, mas implacável: o mercado de colecionáveis.
A recente chegada da coleção Adrenalyn XL, da editora Panini, serviu como um termômetro gélido para as pretensões do jogador. Ao listar 630 cards com os principais atletas do planeta, a editora ignorou Neymar em todas as frentes. Ele não figura entre os onze nomes da categoria básica da Amarelinha, que hoje prioriza a solidez defensiva de Gabriel Magalhães e a energia de Bruno Guimarães, nem foi resgatado pelo saudosismo da “Dream Box”, onde lendas como Pelé e Ronaldo Fenômeno mantêm seus tronos intocados. Para o mercado, o presente de Neymar é incerto demais para ser impresso, e seu passado ainda não amadureceu o suficiente para ser considerado místico.
Essa exclusão editorial funciona como um prelúdio para o álbum oficial do torneio, previsto para chegar às bancas em maio. O vácuo deixado pelo craque é preenchido por uma nova hierarquia de liderança. Enquanto Marquinhos sustenta o status de “Favorito” e Vinícius Júnior assume o posto de “Ícone” incontestável, Neymar assiste de longe à transição geracional. A escolha da Panini reflete uma análise pragmática do rendimento esportivo, antecipando uma tendência que Carlo Ancelotti terá de validar ou refutar em poucas semanas.
O dilema de Ancelotti ultrapassa a questão técnica. Convocar Neymar para sua quarta Copa significa apostar em uma recuperação física que o tempo insiste em dificultar. Por outro lado, deixá-lo de fora é encerrar oficialmente uma era que, embora repleta de talento, nunca entregou o hexacampeonato prometido. Com o lançamento do álbum oficial batendo à porta, o torcedor brasileiro se vê diante de uma situação inusitada: a possibilidade real de folhear as páginas da história atual e não encontrar o rosto que, por mais de uma década, foi o único protagonista possível.





