A trilha sonora das celebrações italianas perdeu sua voz mais elegante. Giuseppe Faiella, que o mundo inteiro aprendeu a reverenciar como Peppino di Capri, faleceu neste sábado (11), aos 86 anos. O artista não apenas carregava o nome de sua ilha natal no sul da Itália, mas transformou a identidade de sua região em um passaporte para os palcos internacionais, sem nunca abrir mão do sotaque característico, do piano íntimo e da interpretação contida.
A trajetória de Peppino começou cedo e ajudou a ditar os rumos da música popular europeia. Na juventude, ao lado do grupo I Rockers, ele ousou ao misturar o vigor do rock ‘n’ roll americano com as estruturas melódicas tradicionais de seu país. A fórmula deu tão certo que, em 1965, a banda foi escalada para abrir os shows dos Beatles durante a histórica turnê do quarteto britânico pelo território italiano.
Com o passar dos anos, o ritmo acelerado dos primeiros palcos deu lugar a baladas românticas que marcaram gerações. Peppino di Capri vendeu mais de 35 milhões de discos ao longo de seis décadas de atividade, mas foi com “Champagne” que ele alcançou a atemporalidade. A canção converteu-se em um hino de brindes e nostalgias, sobrevivendo às intensas transformações da indústria fonográfica.
O impacto de sua obra cruzou o oceano e encontrou solo fértil no Brasil da década de 1970. Faixas como “Roberta” e a própria “Champagne” integraram a trilha sonora de inúmeros romances e festas no país, consolidando uma relação de profunda afetividade com o público brasileiro.
As homenagens que tomam conta do cenário cultural europeu neste fim de semana não apenas relembram os prêmios e a discografia do compositor, mas celebram a capacidade que Peppino tinha de traduzir o cotidiano em poesia cantada. Ele sai de cena deixando um repertório que, longe de envelhecer, continua a narrar as histórias de quem o escuta.





