O distanciamento imposto pela crise sanitária global acabou por provocar o efeito inverso dentro de uma família cearense. Longe de ser apenas um negócio focado em vestuário, a grife Patú surgiu no final de 2021 impulsionada pelo anseio de reaproximação entre mãe e filha. Diana Carla, de 54 anos, acumulava três décadas de bagagem na indústria têxtil, mas carregava a lembrança de um período em que a rotina intensa de trabalho a manteve distante do cotidiano da filha, Marina Fontanari, hoje com 31 anos. Quando o mercado da moda estagnou e os planos acadêmicos de Marina no exterior precisaram ser adiados, o tempo livre transformou-se em espaço de criação e reencontro.
A fusão de saberes foi imediata. Diana entrou com o conhecimento prático da confecção, enquanto Marina assumiu o papel de resgatar a bagagem cultural e as memórias da família. A primeira coleção buscou inspiração na paisagem de Senador Pompeu e na devoção a São Francisco, elementos marcantes da região central do Ceará. O que começou como um projeto afetivo de reconstrução de laços rapidamente ganhou escala.

Em poucos anos, a marca rompeu as fronteiras regionais. A Patú expandiu sua operação com pontos físicos estratégicos: uma loja instalada em um casarão histórico em Fortaleza e outra no bairro da Vila Madalena, em São Paulo. O amadurecimento estético garantiu espaço no Dragão Fashion, importante vitrine da moda autoral nordestina, e levou o design baseado na cultura local até uma exposição em Londres.
Com o recente lançamento de uma linha sob medida, a empresa consolida sua proposta de criar peças que carregam significado e atravessam o tempo. Mais do que vestir, a iniciativa cumpre o propósito de transformar a ancestralidade nordestina em narrativa contemporânea, provando que o resgate do passado pode ser o alicerce para o futuro dos negócios e das relações familiares.





