O roteiro que se desenhou no MetLife Stadium trouxe de volta fantasmas que o futebol brasileiro não encarava há mais de três décadas. Pela primeira vez desde 1990, a Seleção Brasileira se despede de um Mundial antes da fase de quartas de final. O algoz atende pelo nome de Erling Haaland, mas o enredo da eliminação passa diretamente pela ineficiência ofensiva e por escolhas táticas que devem custar caro ao técnico Carlo Ancelotti.
O confronto começou em ritmo acelerado. Logo aos quatro minutos, Patrick Berg chegou a balançar as redes para os noruegueses, mas o lance foi anulado por impedimento de Alexander Sørloth. O susto acordou o Brasil, que passou a explorar a velocidade de Vinicius Jr. A grande oportunidade de mudar o destino da tarde veio quando Matheus Cunha foi derrubado na área por Kristoffer Ajer. No entanto, aos 15 minutos, Bruno Guimarães parou na defesa do veterano Orjan Nyland, de 35 anos, que se tornaria uma parede ao longo do jogo.
Mesmo com menos posse de bola — o Brasil terminou a partida com apenas 33,5% do controle das ações —, o volume de chances criadas foi superior. Os números de gols esperados refletem o tamanho do desperdício: o Brasil registrou um xG de 2,73 contra apenas 0,84 da Noruega. Vinicius Jr. parou em Nyland após roubar a bola de Martin Ødegaard, e o jovem Endrick, logo após substituir Cunha no segundo tempo, perdeu uma chance clara cara a cara com o goleiro.
Na metade final do segundo tempo, Ancelotti mandou Neymar a campo na tentativa de furar o bloqueio escandinavo. A resposta da Noruega veio com gols. O duelo particular entre Haaland e o zagueiro Gabriel Magalhães, marcado pela rivalidade na liga inglesa, pendeu para o lado do atacante do Manchester City. Aos 79 minutos, o camisa 9 se antecipou à marcação e completou de cabeça o cruzamento de Andreas Schjelderup.
Aos 90, o golpe de misericórdia. Haaland recebeu fora da área e bateu rasteiro, sem chances para Alisson, anotando seu sétimo gol no torneio e se igualando a Kylian Mbappé e Lionel Messi no topo da artilharia. Nos acréscimos, Ismail Elfath marcou pênalti após Leo Ostigard atingir Casemiro com o cotovelo. Neymar converteu, mas o gol serviu apenas para atenuar o placar, não o impacto da queda.
A eliminação precoce joga enorme pressão sobre o trabalho de Carlo Ancelotti. O treinador italiano assumiu o cargo em maio de 2025 com status de salvador, amparado por uma trajetória vitoriosa no Real Madrid. Embora seu vínculo com a Confederação Brasileira de Futebol vá até 2030, a apatia coletiva demonstrada em Nova Jersey e a incapacidade de transformar o domínio estatístico em gols reais abrem uma crise imediata sobre a continuidade de sua comissão técnica no comando do futebol do país.





