Crise de imagem afasta eleitorado moderado e fragiliza candidatura de Flávio Bolsonaro

​Levantamento aponta que escândalo envolvendo o Banco Master e o filme "Dark Horse" impulsionou vantagem de Lula na corrida presidencial

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​A recente revelação de áudios e mensagens que ligam o senador Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro gerou uma onda de desconfiança que atravessou as bases da pré-campanha do parlamentar. Dados da pesquisa Meio/Ideia, realizada entre 23 e 27 de maio, indicam que a associação entre o nome do senador e as negociações de recursos para a cinebiografia “Dark Horse” atingiu o desempenho eleitoral do candidato do PL, especialmente junto a grupos fundamentais para um enfrentamento em segundo turno.

​O levantamento aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que antes vivia um cenário de disputa parelha, agora se isola na frente. No primeiro turno, o petista registra 38,5% das intenções de voto, contra 31,5% de Flávio. A diferença torna-se mais clara na simulação de segundo turno: o senador viu seu apoio derreter e agora aparece com 41,4%, enquanto o atual ocupante do Planalto alcançou 46,5%.

​O impacto do episódio é evidente entre o eleitorado que costuma definir pleitos acirrados. Houve uma migração significativa de votos entre jovens de 16 a 24 anos e cidadãos de alta renda, além de uma parcela expressiva do eleitorado que se define como de centro-direita. Para 44% dos entrevistados, a percepção sobre o senador piorou após a divulgação do conteúdo das conversas. Quase metade do eleitorado, cerca de 48%, manifesta desejo de ver uma investigação conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Federal sobre o uso dos vultosos recursos que envolveram o Banco Master.

​Enquanto o cenário do adversário se complica, o governo Lula apresenta uma leve melhora em seus índices de aprovação. O presidente, que enfrenta uma reprovação de 51,4%, conseguiu subir para 46,6% de aprovação, seguindo o padrão histórico de presidentes que buscam a renovação do mandato. Especialistas observam que esse movimento de recuperação coloca o petista em patamar de competitividade superior ao que Jair Bolsonaro exibia na mesma etapa do calendário eleitoral de 2022.

​A pesquisa também testou a resistência de outros nomes do campo oposicionista em um eventual segundo turno contra Lula. Em todos os cenários simulados, o atual presidente permanece à frente, superando nomes como Ronaldo Caiado, Michelle Bolsonaro e Romeu Zema, demonstrando uma barreira consolidada do petista contra a maior parte dos quadros testados pela oposição.

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