Um grave episódio de intoxicação ocorrido no Colégio Antares, no bairro Papicu, em Fortaleza, trouxe à tona o perigo das chamadas misturas recreativas entre jovens. Um estudante foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após consumir uma bebida preparada por um colega de classe, contendo álcool, anti-histamínicos, anti-inflamatórios e analgésicos. A vítima desmaiou apenas cinco minutos após a ingestão, apresentando um quadro clínico de desorientação severa e queda na pressão arterial, exigindo intervenção médica de urgência com uso de adrenalina para estabilizar seus batimentos cardíacos.
O fenômeno, amplamente difundido em nichos das redes sociais como “purple drank” ou “lean”, utiliza ingredientes comuns em gabinetes de remédios domésticos, como prometazina, dipirona e ibuprofeno, que, quando combinados ao álcool, sofrem uma potencialização de efeitos. Especialistas alertam que a mistura não apenas seda o sistema nervoso central, mas inibe o ritmo respiratório e pode conduzir o indivíduo ao coma ou à falência sistêmica. O médico responsável pelo primeiro atendimento descreveu que o paciente não apresentava apenas sinais típicos de embriaguez, mas uma letargia profunda e inabilidade para reconhecer pessoas ou manter a coordenação motora.
A mãe do adolescente, que o encontrou desfalecido na escola, refuta a associação do caso com a falta de presença dos responsáveis. Para ela, o incidente evidencia que a vigilância familiar, embora indispensável, encontra barreiras diante da pressão de grupos de pares e do sigilo sobre a composição dessas misturas. O colega que forneceu a substância, sob a promessa de que o consumo seria inofensivo, foi identificado após outros alunos localizarem uma lista manuscrita dos componentes químicos descartada no lixo da escola.
As autoridades policiais, por meio da Delegacia da Criança e do Adolescente, instauraram procedimento para investigar a origem das medicações e a conduta dos envolvidos. Enquanto o jovem segue em processo de desmame das drogas vasoativas utilizadas para manter sua estabilidade hemodinâmica, a comunidade escolar e especialistas da saúde reforçam a necessidade de monitoramento rigoroso sobre o estoque de fármacos mantidos em casa. A desarticulação da fala, a sonolência excessiva e o comportamento errático são apontados como sinais de alerta imediato para pais e educadores, em um cenário onde a experimentação química entre menores de idade tem custado caro à saúde pública.





