Polícia Federal desmantela enclave tecnológico de maconha no sertão do Piauí

Investida em São Francisco de Assis revela infraestrutura com energia solar e estufas capaz de abastecer mercados interestaduais

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​A calmaria habitual de São Francisco de Assis do Piauí, município de apenas cinco mil habitantes situado no sudeste do estado, foi interrompida na manhã desta segunda-feira (18). Uma incursão cirúrgica da Polícia Federal localizou e erradicou um sofisticado polo produtor de maconha em larga escala. O que chamou a atenção das equipes não foi apenas o volume de vegetação cultivada, mas a engenharia interna voltada à máxima produtividade agrícola.

​Distante dos métodos rudimentares históricos do tráfico rural, a propriedade rural contava com uma estrutura tecnológica atípica. Os agentes federais apreenderam um sistema de captação de energia solar por painéis fotovoltaicos, montado exclusivamente para manter o maquinário de irrigação automatizada e climatizar estufas artificiais. Esse aparato acelerava o desenvolvimento das plantas e garantia autonomia operacional ao complexo, à revelia das oscilações de abastecimento da região.

​Oito homens que trabalhavam diretamente no manejo da lavoura e na manutenção dos equipamentos foram presos em flagrante. Diante do isolamento geográfico do local, os detidos e todo o material recolhido — incluindo bombas de água, tubulações e painéis solares — foram encaminhados à Delegacia da Polícia Federal em Picos, unidade responsável por centralizar os procedimentos cartorários e os primeiros interrogatórios.

​O foco da corporação agora migra da apreensão física para o rastreamento financeiro. O nível de investimento financeiro demandado para instalar painéis solares e laboratórios de cultivo indica o financiamento por grupos criminosos robustos. Os investigadores buscam mapear os canais de distribuição que escoavam o entorpecente, sob a forte suspeita de que a produção abastecia grandes centros urbanos de estados vizinhos, utilizando a malha rodoviária do Nordeste.

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