Chuvas deixam comunidade quilombola Mituaçu isolada na Paraíba

Rio Paraíba transborda, estradas são estruídas e isolamento trava a vida de milhares na paraíba

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​A força das águas redesenhou o cotidiano das comunidades tradicionais e da zona rural paraibana, transformando caminhos em rios e plantações em lamaçais. No Quilombo Mituaçu, localizado na região metropolitana de João Pessoa, o cenário é de um impacto sem precedentes recentes. Onde antes o Rio Paraíba apenas margeava as propriedades, agora a inundação invade lares e apaga os limites entre o leito e a calçada. Para Dona Ruth, a régua histórica que marcava o limite das cheias no muro de sua casa foi superada pelo avanço agressivo da correnteza, que desta vez não respeitou soleiras.

​A paralisia logística é o efeito mais imediato e severo do desastre. O transporte público, espinha dorsal do deslocamento para trabalho e saúde, teve suas rotas interrompidas pela obstrução da estrada principal. O reflexo desse bloqueio é sentido no isolamento forçado de moradores como Ivana, que se vê impossibilitada de cumprir compromissos básicos, desde consultas médicas até o abastecimento essencial de mantimentos para sua família. O isolamento não é apenas geográfico; é um cerceamento do direito de ir e vir que fragiliza quem já vive em áreas de vulnerabilidade.

​No campo, o prejuízo assume uma face econômica devastadora. A economia de subsistência e comércio, baseada na pesca e na agricultura, sofre um golpe direto. Agricultores como Carlos assistiram à força da natureza devastar meses de trabalho em instantes. Culturas de mandioca, milho e feijão, pilares da alimentação e da renda local, foram submersas, deixando para trás o rastro de uma colheita perdida. O som do avanço das águas, descrito pelos residentes como um estrondo assustador, marcou o início de um período de incertezas para quem depende da terra para sobreviver.

​O panorama de crise se estende por outras regiões do estado, evidenciando uma infraestrutura que sucumbiu ao volume hídrico. Em Mogeiro, a queda de uma ponte interrompeu a conexão com a zona rural, enquanto em Lagoa Seca, as vias de acesso permanecem interditadas. De acordo com os levantamentos oficiais, o estado contabiliza dez rodovias com bloqueios parciais ou totais, sem um cronograma imediato para a recuperação. O balanço humano da tragédia revela a magnitude do evento: 37 mil pessoas afetadas e cerca de 3 mil paraibanos que precisaram abandonar suas residências, aguardando o recuo das águas para redescobrir o que restou de suas rotinas.

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