O cenário cultural e acadêmico paraibano perdeu, nesta terça-feira, 14 de abril, uma de suas figuras mais multifacetadas. Rômulo César de Araújo Lima, que unia com rara naturalidade a batida do tambor às discussões filosóficas, faleceu aos 61 anos. Sua atuação não se restringia às salas de aula ou aos palcos; ele era um articulador de ideias que transitava entre o som e o conceito, deixando um vazio significativo na comunidade intelectual do estado.
Como percussionista, Rômulo foi peça integrante da renovação musical do estado, colaborando com nomes expressivos e marcando época em grupos como a banda Quebra-Quilos. Sua musicalidade era o reflexo de um espírito inquieto, que via na arte uma extensão necessária da existência. Essa mesma energia foi transposta para a vida acadêmica na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). No campus de Catolé do Rocha, ele não apenas chefiava o Departamento de Letras e Humanidades, mas atuava como um motor de fomento cultural em uma região muitas vezes negligenciada pelos grandes eixos de investimento.
Durante mais de duas décadas de docência, sua marca foi a democratização do acesso ao repertório artístico. Rômulo idealizou o primeiro Cine Clube da unidade e esteve à frente da organização da mostra Matizes da Sexualidade, evidenciando sua coragem em pautar temas contemporâneos e urgentes. A criação do Núcleo de Arte e Cultura do Campus IV e a realização de sucessivas Semanas Acadêmicas transformaram a rotina dos estudantes, conectando o rigor científico à sensibilidade das artes plásticas, do cinema e, claro, da música.
A Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), em nota oficial, destacou a importância histórica do professor para a preservação da identidade local. Além de seu papel como diretor adjunto do Centro de Ciências Humanas e Agrárias (CCHA), sua presença era sentida na capacidade de reunir pessoas em torno de projetos coletivos, como o Festival Universitário de Arte.
Com sua partida, a Paraíba perde um intelectual que acreditava na educação como um processo contínuo de criação e sensibilidade. O velório e as homenagens póstumas reúnem amigos, familiares e ex-alunos que agora carregam a responsabilidade de manter vivos os espaços de diálogo e expressão que ele ajudou a fundar.





