Laudo do Lacen-PB confirma contaminação bacteriana em alimentos de pizzaria em Pombal

​Análises descartam Salmonella, mas apontam falhas graves na manipulação de ingredientes; relação direta com morte de paciente segue sob investigação técnica

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O cenário da crise sanitária que abalou a cidade de Pombal, no Sertão paraibano, ganhou contornos técnicos definitivos neste sábado (28). O Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-PB) identificou uma presença massiva das bactérias Staphylococcus aureus e Escherichia coli em amostras coletadas na pizzaria onde mais de cem pessoas teriam se contaminado. O anúncio, feito pelo Secretário de Saúde do Estado, Ari Reis, isola a origem do problema na cozinha do estabelecimento, embora o nexo causal com o óbito registrado ainda demande cautela científica.

​O estudo laboratorial debruçou-se sobre sete frentes distintas, cruzando dados de amostras biológicas de pacientes com o conteúdo recolhido no local, incluindo massas, carnes e molhos. Um detalhe chama a atenção dos especialistas: enquanto os exames clínicos das vítimas não acusaram patógenos, os alimentos apresentavam colônias bacterianas em níveis alarmantes. A ausência de Salmonella, frequentemente associada a surtos desse porte, desloca o foco da investigação para o processo produtivo interno e a higiene ambiental.

​As bactérias encontradas são velhas conhecidas da vigilância sanitária por indicarem falhas estruturais na cadeia de preparo. A Escherichia coli, habitualmente presente no trato intestinal, sugere deficiências graves na higienização das mãos ou da água, enquanto o Staphylococcus aureus costuma ser introduzido por manipuladores que portam o micro-organismo na pele ou nas vias respiratórias. Segundo a pasta da Saúde, a alta densidade desses agentes justifica o quadro de infecção aguda que levou dezenas de clientes às unidades de pronto atendimento.

​Apesar da clareza sobre a má manipulação dos produtos, o estado mantém uma postura de rigor institucional quanto à morte da mulher que jantou no local. Ari Reis ponderou que a ciência ainda não autoriza uma conexão direta e exclusiva entre a ingestão das bactérias detectadas e o falecimento, tratando a questão como uma investigação em aberto que depende de laudos necroscópicos e prontuários detalhados. O caso agora serve de alerta para o rigor nas fiscalizações sanitárias em toda a região sertaneja.

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