A estética da resistência: André Tezza leva o cotidiano curitibano ao topo da fotografia mundial

​Série sobre pequenos mercados de bairro conquista o terceiro lugar no Latin America Professional Award 2026, reafirmando o Brasil como potência narrativa no Sony World Photography Awards.

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​Enquanto as fachadas padronizadas das grandes redes de varejo avançam sobre as metrópoles, o fotógrafo curitibano André Tezza decidiu apontar sua lente para a direção oposta. O resultado desse mergulho visual nos subúrbios da capital paranaense acaba de ser reconhecido em Londres. Com a série Mercadinhos, Tezza garantiu a terceira posição no Latin America Professional Award 2026, distinção que integra o Sony World Photography Awards, um dos pilares de prestígio da imagem contemporânea global.

O trabalho do brasileiro afasta-se do óbvio ao documentar estabelecimentos que sobrevivem à margem da modernização acelerada. Nessas composições, o balcão de madeira e as prateleiras sorteadas deixam de ser meros cenários de consumo para se tornarem símbolos de uma arquitetura de permanência. Tezza captura a dignidade de comércios que, mais do que pontos de venda, funcionam como âncoras sociais de suas comunidades, preservando uma identidade visual periférica que raramente encontra espaço em galerias internacionais.

​A premiação deste ano desenha um panorama plural da produção latino-americana. O topo do pódio regional foi ocupado pela mexicana Citlali Fabián, com o ensaio Bilha, Historias de mis Hermanas, seguida pela proposta de María Fernanda García em Estudio sobre el vuelo. A presença de Tezza no grupo de elite dá continuidade ao bom momento do Brasil na competição, sucedendo o impacto provocado por Gui Christ, vencedor da categoria Retratos na edição anterior.

​O cronograma oficial da Sony e da World Photography Organisation prevê que as obras ocupem as paredes da Somerset House, na capital britânica, entre os dias 17 de abril e 4 de maio. Para o fotógrafo paranaense, a conquista vai além do recebimento de novos equipamentos; representa o passaporte para a cerimônia oficial em Londres e a inserção definitiva de sua narrativa em uma vitrine que dita tendências para o mercado global.
​Embora os vencedores gerais de todas as categorias sejam revelados apenas em 16 de abril, a seleção de Tezza já consolida uma vitória para a fotografia documental brasileira.

Ao transformar o ordinário de um “mercadinho de esquina” em potência artística, o autor prova que a força de uma imagem não reside apenas na técnica apurada, mas na capacidade de enxergar valor no que o mundo, por pressa ou distração, insiste em ignorar.

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