Brasil se torna o motor global da Uber em meio ao embate sobre vínculo empregatício

CEO global da empresa projeta alta de 60% nos preços de viagens caso o país aprove o vínculo empregatício e anuncia aporte de R$ 2 bilhões em tecnologia.

Compartilhe o Post

​O CEO global da Uber, Dara Khosrowshahi, reafirmou o compromisso da gigante de tecnologia com o mercado brasileiro, classificando o país como o território onde a empresa realiza o maior volume de viagens em todo o mundo. Em visita recente a Brasília e São Paulo, o executivo destacou que a operação nacional superou até mesmo a dos Estados Unidos em número de transações, consolidando o Brasil como o pilar central da estratégia de expansão e faturamento da plataforma.

​A declaração ocorre em um momento de tensão institucional. O Congresso Nacional discute novas diretrizes para a regulamentação do trabalho via aplicativos, e Khosrowshahi alerta para os efeitos colaterais de uma possível obrigatoriedade de contratação formal dos motoristas sob o regime da CLT. Segundo projeções apresentadas pelo executivo, a mudança no modelo de negócios poderia elevar o preço das corridas em até 60%, além de reduzir drasticamente a quantidade de parceiros ativos, o que impactaria diretamente a mobilidade urbana nas grandes metrópoles.

​Para a Uber, a classificação jurídica da empresa é o ponto de maior atrito. Khosrowshahi defende que a companhia deve ser reconhecida estritamente como uma plataforma tecnológica, e não como uma prestadora de serviços de transporte. Ele argumenta que a flexibilidade é o principal atrativo para os mais de um milhão de motoristas no país, embora se mostre favorável a uma legislação que garanta direitos previdenciários e proteção social aos trabalhadores, desde que não se configure o vínculo empregatício tradicional.

​Além da pauta regulatória, a empresa planeja injetar R$ 2 bilhões em tecnologia no centro de desenvolvimento mantido em São Paulo, visando a criação de soluções locais que possam ser exportadas para outros países. Outra frente estratégica envolve parcerias com instituições financeiras para facilitar o acesso dos motoristas ao crédito. A ideia é utilizar o histórico de ganhos e o desempenho na plataforma como garantia para financiamentos de veículos, reduzindo as taxas de juros e renovando a frota em circulação.

​A ofensiva da Uber no Brasil também mira a reativação de serviços de transporte por motocicletas em capitais como São Paulo, onde enfrentou resistência da prefeitura. Khosrowshahi encara as duas rodas como uma alternativa econômica e eficiente para complementar o sistema público de transporte, especialmente no trajeto final entre as estações de trem e os destinos dos passageiros. O futuro da operação brasileira, portanto, depende agora do equilíbrio entre a modernização das leis trabalhistas e a viabilidade econômica de um serviço que já faz parte do cotidiano de 85% da população nacional.

Compartilhe o Post

Mais do Nordeste On.