A sucessão no Ministério da Fazenda deixou de ser uma especulação de bastidor para se tornar o fato central da política econômica brasileira nesta quinta-feira (19). Durante a abertura da 17ª Caravana Federativa, na capital paulista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que Dario Durigan, atual secretário-executivo da pasta, assumirá a titularidade do ministério. O anúncio, feito em tom direto, encerra o ciclo de Fernando Haddad, que se despede do governo federal para retomar sua trajetória eleitoral.
A escolha de Durigan sinaliza uma aposta na continuidade técnica e na manutenção do diálogo com o Congresso Nacional. O novo ministro, que já atuava como o braço direito de Haddad na articulação das pautas econômicas, transita entre a experiência jurídica no setor público e uma passagem estratégica pela iniciativa privada, onde geriu políticas públicas para a Meta no Brasil. Essa bivalência é vista como um ativo para manter a estabilidade fiscal e o avanço da agenda tributária no Legislativo.
Ao introduzir seu novo conselheiro econômico, Lula não poupou elogios ao antecessor. O presidente atribuiu a Haddad o mérito de ter destravado a reforma tributária, demanda que se arrastava por quatro décadas no país. O reconhecimento público serve como plataforma de lançamento para os próximos passos do ex-ministro. Embora Haddad mantenha discrição sobre o cargo que pretende disputar, a expectativa política converge para o anúncio de sua pré-candidatura ao governo de São Paulo, previsto para ocorrer em um ato político em São Bernardo do Campo ainda nesta noite.
Em suas últimas palavras à frente do ministério, Haddad classificou a data como um marco simbólico de transição. Ele defendeu que o fortalecimento do pacto federativo e a cooperação entre os entes da União foram os pilares que permitiram o crescimento econômico com justiça social nos últimos três anos. Entre os pontos altos de sua gestão, citou o reajuste das faixas do Imposto de Renda e as medidas de correção de distorções que ampliaram a arrecadação sem sacrificar as camadas mais pobres da população.
Com a ascensão de Durigan, o governo federal busca blindar a economia de eventuais oscilações causadas pela saída de um nome de peso político como Haddad. O desafio do novo titular será transformar o perfil técnico em habilidade política imediata, garantindo que a transição não interrompa o fluxo de investimentos e a confiança do mercado no plano de voo desenhado pela gestão que se encerra.





