A trajetória de Sávio Rolim confunde-se com a própria paisagem do Cinema Novo. Na tarde da última quinta-feira, 12, o homem que emprestou o olhar de descoberta ao personagem Carlinhos saiu de cena em Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa. Aos 72 anos, o artista não resistiu a um quadro de broncopneumonia, agravado por complicações de um acidente vascular cerebral e pelo histórico de dependência química que marcou parte de sua vida adulta.

Sua ascensão ao panteão das artes brasileiras ocorreu de forma meteórica aos 12 anos. Sob a batuta de Walter Lima Jr., Rolim personificou a transição da infância para a maturidade nos canaviais paraibanos, conferindo uma face humana e sensível à prosa de José Lins do Rego. “Menino de Engenho”, lançado em 1966, tornou-se um documento estético de uma era, e o desempenho do jovem ator foi o fio condutor que uniu a literatura regionalista à urgência visual daquela década.
Embora o sucesso precoce sugerisse uma carreira contínua nas telas, o destino de Sávio seguiu caminhos menos lineares. Após o ápice no longa-metragem, ele explorou as redações de jornais da Paraíba como repórter e manteve os pés nos palcos do teatro regional. No audiovisual, suas aparições tornaram-se raras, limitando-se a participações específicas, como no seriado “Carga Pesada”. Sua vida foi um constante exercício de convivência com o peso de ter sido o símbolo de uma obra-prima tão jovem, equilibrando o brilho do passado com os desafios pessoais que enfrentou ao longo das décadas.
A confirmação do óbito veio por meio da direção do Fest Aruanda, evento que tradicionalmente celebra a produção cinematográfica paraibana e nacional. Para Lúcio Vilar, diretor do festival, o desaparecimento de Sávio representa a perda de um pilar da identidade cultural do estado. O corpo do artista seguiu para Cajazeiras, no sertão, retornando à sua terra natal para o sepultamento. O encerramento deste ciclo marca não apenas a despedida de um intérprete, mas o fechamento de um capítulo importante sobre como o cinema brasileiro retratou suas raízes e suas gentes através da vulnerabilidade de um menino.





