O rastro de destruição deixado em uma escola primária para meninas no condado de Minab, sul do Irã, tornou-se o mais novo e dramático epicentro da instabilidade geopolítica no Oriente Médio. O balanço oficial de vítimas, atualizado pelo governador local Mohammad Radmehr, aponta para ao menos 63 estudantes mortas e 92 feridos, em um cenário onde equipes de resgate ainda operam entre os escombros na tentativa de localizar sobreviventes. O ataque, ocorrido em um período de intensa atividade escolar, gerou imagens de fumaça densa e infraestrutura colapsada que rapidamente circularam em agências de notícias regionais.
A retórica diplomática subiu o tom imediatamente após o evento. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, utilizou canais oficiais para denunciar o que chamou de bombardeio deliberado a um alvo civil. Em coro, o porta-voz da chancelaria, Esmael Baqaie, elevou a gravidade da acusação, descrevendo a ação como um “ato de agressão injustificado” conduzido de forma conjunta pelos Estados Unidos e Israel. Segundo a narrativa de Teerã, o episódio não se isola como um erro de cálculo, mas como parte de uma campanha de ataques indiscriminados contra centros urbanos iranianos.
Do lado ocidental, a resposta inicial pauta-se pela cautela protocolar, embora contenha a admissão de operações militares ativas na região. Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), afirmou que o órgão está ciente dos relatos sobre danos a civis e que uma investigação formal foi instaurada. Hawkins reiterou o discurso de que a proteção de não combatentes é uma prioridade estratégica, buscando distanciar a imagem das forças americanas de uma negligência tática deliberada. As Forças Armadas de Israel, também citadas pela diplomacia iraniana como coparticipantes da ofensiva, ainda não emitiram um posicionamento detalhado sobre o caso.
O incidente em Minab aprofunda o isolamento das vias diplomáticas e coloca os organismos internacionais sob pressão para mediar uma crise que já ultrapassa o campo das escaramuças militares. Enquanto guindastes removem as lajes de concreto da escola primária, a comunidade internacional observa o risco iminente de uma resposta iraniana, o que poderia transformar a tragédia humanitária em um catalisador para um conflito de proporções regionais sem precedentes.





