A linha entre a promoção comercial legítima e o mercado paralelo de apostas foi o alvo da Polícia Federal neste último domingo (8). Sob o nome de Operação Aleatorius, a ofensiva desarticulou uma estrutura empresarial que, embora portasse autorizações do Ministério da Fazenda, teria transformado títulos de capitalização em uma engrenagem de sorteios sem lastro regulatório e movimentações financeiras à margem do sistema bancário.

A ação concentrou-se no Piauí, Ceará e Pernambuco, estados onde o grupo exercia forte influência. Ao cumprir sete mandados de busca e apreensão, os agentes se depararam com um cenário que ilustra a dimensão do negócio: cerca de R$ 850 mil em dinheiro vivo foram confiscados, sugerindo uma dinâmica de fluxo de caixa que evitava o rastro digital das instituições financeiras formais. A decisão da 1ª Vara Federal Criminal do Piauí determinou a suspensão imediata das atividades da empresa, cujas promessas de prêmios vultosos ocultavam critérios de apuração obscuros e divergentes dos protocolos aprovados pelos órgãos competentes.
Para além do descumprimento administrativo, a investigação desenha um quadro de crimes complexos. Há indícios de que o fracionamento de valores e o pagamento de prêmios em espécie serviam como cortina de fumaça para a lavagem de dinheiro e a evasão tributária. O uso indevido da chancela estatal conferia ao negócio uma aparência de legalidade, induzindo o consumidor ao erro ao acreditar que participava de um sistema de sorteios auditado. Com a apreensão de documentos e dispositivos móveis, o foco da Polícia Federal agora se volta para a rede de beneficiários e a origem real dos recursos que sustentavam o brilho dessas premiações.





