Influenza afasta Fux da abertura do Judiciário sob pauta de silêncio digital

​Magistrado deve acompanhar início dos trabalhos de forma remota enquanto STF retoma sessões com foco em limites para juízes nas redes sociais

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O Supremo Tribunal Federal inicia o ano judiciário de 2026 sob o impacto de uma baixa médica em sua composição presencial. O ministro Luiz Fux, diagnosticado com pneumonia decorrente do vírus influenza, deve trocar o plenário físico pela participação virtual na solenidade desta segunda-feira (2). O imprevisto ocorre em um momento simbólico de transição e retomada de poder, onde o diálogo entre as instituições será testado logo nas primeiras horas de atividade.

Sob o comando do ministro Edson Fachin, a cerimônia de abertura não apenas reativa a engrenagem jurídica do país, mas também serve de palco para o alinhamento político entre os Poderes. A expectativa recai sobre os discursos que pautarão a relação da Corte com o Legislativo, representados pelas presenças confirmadas de Hugo Motta, presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre, à frente do Senado. A ausência física de Fux, embora justificada pela saúde, reforça a consolidação do modelo híbrido que se tornou herança permanente dos tribunais superiores.

A partir de quarta-feira (4), o rito processual ganha tração com o retorno dos julgamentos colegiados. No centro do debate inicial, o Supremo se debruçará sobre a tênue linha que separa a liberdade de expressão da magistratura do decoro institucional. Através das ADIs 6310 e 6293, os ministros avaliarão se as restrições impostas pelo Conselho Nacional de Justiça ao uso de redes sociais por juízes ferem preceitos constitucionais ou se são mecanismos necessários para preservar a imparcialidade do Judiciário diante da hiperconexão contemporânea.

O desfecho desse julgamento é aguardado como um divisor de águas para a conduta pública de magistrados em todo o território nacional. Enquanto Fux se recupera, o STF se prepara para decidir se o silêncio digital deve ser a norma ou se o magistrado moderno pode ocupar o espaço público virtual sem comprometer a liturgia do cargo.

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