Homem do Ceará compra iPhone pela Amazon e recebe caixa de biscoitos

​Enfermeiro cearense enfrenta impasse burocrático com a Amazon após receber caixa de Bis no lugar de smartphone; caso reacende debate sobre falhas na custódia logística de gigantes do e-commerce.

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​A confiança depositada na curadoria direta de uma gigante do varejo global não foi suficiente para blindar o enfermeiro Rafael Braga, de 35 anos, contra um dos golpes mais recorrentes, e frustrantes, do comércio eletrônico contemporâneo. No último sábado, ao romper o lacre de uma encomenda aguardada com planejamento familiar desde dezembro, o morador de Itapipoca, no interior do Ceará, deparou-se com uma ironia açucarada: em vez do iPhone de R$ 4,1 mil adquirido para a esposa, a embalagem continha apenas uma caixa de chocolates Bis.

​O incidente ganha contornos de complexidade devido ao perfil da transação. Diferente de compras realizadas em marketplaces de terceiros, onde o risco costuma ser maior, Braga optou deliberadamente pelo selo “Vendido e Entregue por Amazon.com.br”. A estratégia, desenhada para garantir a procedência e a segurança do item, esbarrou em uma falha sistêmica que a empresa inicialmente se recusou a admitir. Mesmo após o fornecimento do código de verificação ao entregador, protocolo padrão para itens de alto valor, o consumidor viu-se em um labirinto de negativas corporativas.

Durante cinco dias, o suporte logístico da companhia sustentou a tese de que o aparelho havia deixado o centro de distribuição em perfeitas condições, transferindo implicitamente o ônus da prova ao cliente. Essa postura reflete um gargalo crítico na última milha do e-commerce brasileiro, onde a integridade do pacote entre a expedição e o destino final torna-se uma zona cinzenta de responsabilidades. O impasse só rompeu a inércia burocrática após a intervenção da imprensa e a exposição pública do caso, culminando no estorno total do valor na manhã desta quinta-feira.

​O desfecho, embora positivo para as finanças do enfermeiro, deixa um rastro de insegurança sobre a eficiência dos mecanismos de controle interno das plataformas digitais. O episódio de Itapipoca deixa de ser uma anedota local para se tornar um sintoma de que, na era da logística ultraveloz, a conferência humana e a transparência no atendimento ainda são moedas de troca escassas quando a automação falha.

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