UFPB torna-se alvo isolado de tesoura orçamentária e acende alerta para colapso social

​Enquanto outras federais enfrentam bloqueios preventivos, instituição paraibana sofre corte definitivo de R$ 14,3 milhões, ameaçando a permanência da maior população estudantil vulnerável do país.

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O cenário fiscal de 2026 impôs um revés singular à Universidade Federal da Paraíba. Diferente do contingenciamento linear que costuma atingir o ensino superior brasileiro, a UFPB encerrou esta quinta-feira (29) sob um corte irreversível. O cancelamento de R$ 14,3 milhões retira da instituição a capacidade de gerir não apenas o cotidiano burocrático, mas o ecossistema de sobrevivência de milhares de alunos. Trata-se de uma perda real em um orçamento já tensionado por anos de austeridade, colocando a reitoria em uma corrida contra o tempo para evitar a paralisia de serviços básicos.

​O impacto extrapola a manutenção de infraestrutura física, como a preservação de laboratórios e salas de aula. O ponto nevrálgico da crise reside na assistência estudantil. Atualmente, a UFPB detém o maior contingente absoluto de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica do Brasil. Para esse público, o orçamento universitário não é apenas um número contábil; é o garantidor de bolsas e auxílios que freiam a evasão escolar. Sem esses recursos, a universidade deixa de ser um motor de ascensão social para se tornar um ambiente de exclusão forçada pela insuficiência de verbas.

​A singularidade do caso paraibano, sendo a única federal do país a sofrer uma redução concreta de recursos já previstos para o exercício atual, levanta questões sobre os critérios de distribuição e o planejamento do Ministério da Educação. Em resposta, a administração central da UFPB formalizou um pedido de recomposição integral, argumentando que a instituição não possui musculatura financeira para absorver, isoladamente, o peso de cortes sucessivos sem sacrificar o tripé ensino, pesquisa e extensão.

​O desafio agora é político e operacional. Enquanto as bibliotecas e sistemas de TI operam sob a incerteza do próximo mês, a comunidade acadêmica aguarda uma sinalização de Brasília. A redução drástica no custeio impõe uma barreira física e intelectual, dificultando o cumprimento do calendário acadêmico e a entrega de pesquisas à sociedade. Se a recomposição não ocorrer, 2026 poderá ser lembrado como o ano em que a maior universidade do estado foi obrigada a escolher entre pagar a conta de luz ou manter seus alunos dentro de sala.

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