O retorno do filho pródigo: Flamengo quebra a banca por Lucas Paquetá

​A maior transação da história do futebol brasileiro sela o retorno do meia ao Ninho do Urubu e redefine o planejamento estratégico do elenco de Filipe Luís

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O ciclo de quase uma década de Lucas Paquetá no futebol europeu encontrou seu ponto final onde tudo começou. Em uma operação que sublinha a disparidade financeira do Flamengo no cenário continental, o clube carioca finalizou a repatriação do meio-campista de 28 anos junto ao West Ham. Os números são superlativos: 42 milhões de euros (aproximadamente R$ 260 milhões), montante que estabelece um novo recorde nominal para transferências de entrada no Brasil, superando o próprio investimento histórico do clube em temporadas anteriores.

​A engenharia financeira por trás do negócio foi o último obstáculo superado. Após semanas de um jogo de xadrez com a diretoria londrina, o rubro-negro impôs um modelo de pagamento diluído até 2028. A estratégia, chancelada pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, visa proteger o fluxo de caixa para 2026, ano em que o clube projeta uma receita bilionária, mas já lida com as parcelas de reforços recentes como Samuel Lino e Emerson Royal. O acerto garante que o investimento em Paquetá não force a venda de outros ativos fundamentais para equilibrar as contas.

​A trajetória de Paquetá desde que deixou a Gávea em 2018 reflete o amadurecimento técnico que agora retorna ao Brasil. Da passagem de adaptação pelo Milan ao protagonismo técnico no Lyon, o meia atingiu o ápice na Premier League, onde se tornou peça central do West Ham. O interesse de Pep Guardiola e do Manchester City, que chegou a estar no horizonte, foi dissipado pelas investigações de apostas esportivas na Inglaterra, processo do qual o atleta foi oficialmente inocentado no ano passado, limpando o caminho para seu retorno triunfal.

​No tabuleiro tático de Filipe Luís, a chegada de Paquetá funciona como um “coringa” de elite que paralisa outras movimentações de mercado. Sua versatilidade permite que o clube desista da busca por novos volantes, já que o atleta pode atuar tanto na articulação quanto como segundo homem de meio-campo, flanqueado por nomes como De La Cruz e Saúl. Essa polivalência estende-se até o ataque: com a capacidade de Paquetá em atuar pelas pontas ou como um “falso nove”, o Flamengo ganha fôlego para negociar com cautela a busca por um reserva para Pedro, após as conversas frustradas por Kaio Jorge.

​Diferente da venda em 2018 por 38 milhões de euros, o Flamengo agora recebe um jogador em plena maturidade física, capaz de preencher lacunas táticas múltiplas e elevar o patamar técnico da liga nacional. O retorno não é apenas um movimento passional de identificação com a torcida, mas uma peça de xadrez financeira e esportiva que consolida a hegemonia rubro-negra no mercado sul-americano.

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