A aparente normalidade de uma exportadora de ligas metálicas em Blumenau servia de fachada para uma das engrenagens mais resilientes do narcotráfico internacional em Santa Catarina. Durante uma incursão estratégica, agentes da Polícia Federal romperam a barreira física do concreto para expor um bunker subterrâneo meticulosamente planejado. Sob o piso do galpão industrial, foram extraídos 613 quilos de cocaína de alta pureza, uma carga cujo valor de mercado ultrapassa a marca dos R$ 100 milhões.
O que diferencia este caso da criminalidade comum é o nível de especialização logística. O espaço não era apenas um depósito passivo, mas um centro de preparação onde a droga era acondicionada para enfrentar longas travessias transatlânticas. A inteligência policial aponta que a estrutura utilizava o fluxo comercial legítimo da empresa de metais para camuflar o transporte do entorpecente rumo ao continente europeu. No local, além do montante bilionário em substâncias, a apreensão de um caminhão equipado com fundos falsos confirmou o modus operandi da célula.
O desdobramento da investigação revela uma rede de conexões que ignora fronteiras. A Polícia Federal identificou a participação direta de cidadãos estrangeiros na gestão do esquema, com destaque para britânicos que já eram alvo de buscas internacionais. Essa cooperação entre o crime organizado local e operadores externos reforça a tese de que o litoral catarinense se consolidou como um ponto nevrálgico para o escoamento global de drogas.
Após o flagrante inicial no Vale do Itajaí, o cerco se fechou em Florianópolis. Na capital, a operação avançou sobre o patrimônio da organização, resultando na captura de um segundo suspeito e no confisco de bens de luxo, incluindo embarcações e joias. O material documental recolhido agora serve como fio condutor para rastrear o fluxo financeiro do grupo, enquanto as autoridades trabalham para desmembrar o restante da pirâmide hierárquica que operava sob o solo catarinense.





