O Brasil, país conhecido mundialmente por sua vasta expertise em lidar com o gelo, geralmente restrita a baldes de cerveja em areias escaldantes, acaba de cometer uma audácia geográfica sem precedentes. Lucas Pinheiro Braathen, um jovem que decidiu trocar o asfalto carioca pelas encostas gélidas da Escandinávia, conquistou em Levi, na Finlândia, o que gerações de brasileiros consideravam tão provável quanto um título mundial de surfe para a Mongólia: o topo da Copa do Mundo de Esqui Alpino.
A ironia é deliciosa e serve-se fria, a alguns graus abaixo de zero. Braathen, filho de mãe brasileira e pai norueguês, resolveu que a burocracia esportiva de Oslo era enfadonha demais para o seu estilo vibrante. Após um hiato sabático que deixou a federação norueguesa em estado de choque, ele retornou às pistas sob a bandeira verde e amarela. O resultado? Um Slalom que transformou a neve finlandesa em um palco de “ginga” improvável, garantindo o primeiro título brasileiro na história da modalidade.
É fascinante observar o desespero silencioso dos puristas do inverno europeu ao verem um atleta que celebra com o carisma de quem acabou de sair de um bloco de Carnaval descer montanhas com a precisão de um relógio suíço. Braathen não apenas esquia; ele performa um deboche elegante contra o determinismo climático. Ele provou que, para o Brasil, o único limite para o sucesso no gelo era, aparentemente, a falta de um passaporte carimbado com a audácia certa.
Enquanto analistas esportivos tentam entender como um país sem uma única montanha de neve natural produziu um campeão mundial, Lucas segue ignorando as estatísticas. Ele não é apenas um esquiador rápido; é o símbolo de uma globalização que, desta vez, operou em favor do Hemisfério Sul. A Noruega perdeu um prodígio; o Brasil ganhou uma desculpa oficial para fingir que entende de Slalom Gigante entre uma feijoada e outra. Que os deuses do Olimpo de inverno se preparem: o “brazilian storm” agora também ocorre em estado sólido.





