A geografia partidária do Ceará registrou um movimento tectônico nesta segunda-feira (12), com a oficialização de Liliane Araújo na presidência estadual do O Democrata. A legenda, que até pouco tempo atendia pela sigla PMB (Partido da Mulher Brasileira), passa a ser liderada por uma figura umbilicalmente ligada ao Partido dos Trabalhadores, em uma manobra que carrega as digitais da cúpula governista e de setores históricos da esquerda alencarina.
A transição de Liliane não se configura como um rompimento, mas como uma extensão tática. Sua saída do diretório nacional e da vice-presidência do PT em Fortaleza foi chancelada por um diálogo direto com o governador Elmano de Freitas e com a deputada federal Luizianne Lins. O movimento sinaliza a intenção do bloco governista de capilarizar sua influência em siglas periféricas, garantindo legendas aliadas que possam orbitar o projeto central enquanto mantêm autonomia formal.
Atual Secretária Executiva de Políticas para Mulheres no governo estadual, Liliane Araújo carrega um currículo que atravessa diferentes ciclos do poder petista no Ceará. Sua trajetória inclui passagens estratégicas pela Ouvidoria Geral do Município e postos de comando financeiro em regionais durante a gestão Luizianne na prefeitura, além de ter atuado na assessoria especial da Casa Civil sob o comando de Camilo Santana. Esse trânsito livre entre diferentes alas do partido a credencia como uma operadora política capaz de equilibrar os interesses do novo posto com a fidelidade ao projeto que a projetou.
No cenário legislativo, a nova presidente do O Democrata mantém um pé na Câmara Municipal de Fortaleza, onde ocupa a suplência pela Federação Brasil da Esperança. Com o capital político de 2.165 votos conquistados no último pleito, sua ascensão ao comando partidário eleva seu status de negociadora para as composições de 2026. Ao assumir o controle de uma sigla em processo de renovação de identidade, Liliane deixa de ser apenas uma peça no tabuleiro petista para se tornar a dona da mesa em uma nova frente de articulação no estado.





