O Estádio José Américo de Almeida, o Almeidão, tradicional bastião do futebol paraibano, inicia o ano de 2026 sob uma sombra de abandono que transcende as quatro linhas. Registros recentes revelam uma superfície de jogo severamente comprometida, expondo uma realidade de degradação que coloca em xeque a viabilidade técnica das partidas agendadas para o certame estadual.
A crise estética e funcional do gramado não é apenas um problema de jardinagem, mas um entrave logístico e financeiro para clubes como o Botafogo-PB, que dependem da infraestrutura da capital para manter seu desempenho competitivo. Enquanto a grama cede lugar à terra batida e às irregularidades, o planejamento esportivo das equipes locais entra em modo de contingência, aguardando definições que parecem não vir.
O que mais ressoa neste cenário, contudo, não é o ruído das críticas da torcida, mas o mutismo das autoridades competentes. A Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer (Sejel) mantém uma postura de reserva que alimenta o ceticismo. Até o momento, o secretário Lindolfo Pires não apresentou um cronograma de recuperação ou uma justificativa técnica para o estado atual da praça esportiva.
Este vácuo de informações pressiona o Ministério Público da Paraíba e o Governo do Estado a intervirem. A ausência de uma resposta célere sugere uma desconexão entre a gestão pública e a importância econômica e social do futebol para a região. Sem um campo em condições mínimas, o espetáculo se degrada, a segurança dos atletas é negligenciada e o torcedor é afastado das arquibancadas.
O Campeonato Paraibano de 2026 corre o risco de ser lembrado não pelo talento dos jogadores, mas pela precariedade dos palcos. A recuperação de um gramado de alto rendimento exige tempo e investimento técnico, dois recursos que parecem escassos diante da proximidade do apito inicial.
A pergunta que fica no ar é se o Almeidão voltará a ser um templo do futebol ou se continuará sendo o maior símbolo do descaso administrativo no esporte paraibano.





