A diplomacia chinesa elevou o tom neste domingo ao classificar a detenção de Nicolás Maduro como uma ruptura drástica do direito internacional. Em comunicado oficial emitido pelo Ministério das Relações Exteriores, Pequim exigiu a soltura imediata do líder venezuelano e de sua esposa, Cilia Flores, ambos sob custódia em Nova York após uma incursão de forças especiais norte-americanas na capital venezuelana. Para o governo de Xi Jinping, a investida da Casa Branca não se limitou a uma prisão política, mas configurou um ataque direto à soberania de uma nação independente, agravado por bombardeios estratégicos que serviram de suporte à extração do mandatário.
O posicionamento de Pequim fundamenta-se na defesa do princípio de não intervenção, pilar fundamental das Nações Unidas que, segundo o governo chinês, foi ignorado por Washington. O Ministério das Relações Exteriores manifestou “profundo choque” com a ofensiva, alertando que a iniciativa militar ameaça a paz e a estabilidade na América do Sul. O temor chinês reside na possibilidade de que este precedente estabeleça uma nova era de instabilidade nas relações transcontinentais, onde a força militar substitui os canais diplomáticos na resolução de impasses políticos.
Além das implicações de segurança, o cenário expõe a vulnerabilidade de interesses econômicos vitais. A China atua como o principal suporte financeiro do regime capturado, absorvendo cerca de 80% da produção petrolífera da Venezuela até o momento da intervenção. Com a cúpula do governo venezuelano detida em solo americano, a segurança energética e os vultosos investimentos chineses na região entram em uma zona de incerteza profunda, forçando Pequim a se posicionar não apenas como aliada ideológica, mas como garantidora da ordem institucional no hemisfério ocidental.
Enquanto Maduro e Cilia Flores aguardam os próximos passos do Departamento de Justiça dos EUA em um centro de detenção federal, a comunidade internacional observa o redesenho do tabuleiro geopolítico. A resposta incisiva da China sinaliza que o desdobramento deste evento transcende as fronteiras sul-americanas, desafiando a hegemonia de Washington e colocando à prova a eficácia dos tratados internacionais frente à ação unilateral de uma potência global.





