Pequim condena captura de Maduro e classifica ação dos EUA como violação da ordem global

​Governo chinês exige libertação imediata do líder venezuelano e alerta para riscos de desestabilização regional após operação militar em Caracas

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(COMBO) This combination of pictures created on April 09, 2025 shows, L-R, Chinese President Xi Jinping in Beijing on February 6, 2025 and US President Donald Trump in Washington, DC on April 8, 2025. China announced Wednesday massive retaliatory tariffs on US goods, sharply escalating a trade war started by President Donald Trump and fuelling fresh panic in global markets. Trump's latest salvo of tariffs came into effect on dozens of trading partners earlier Wednesday, including punishing duties of 104 percent on imports of Chinese products. (Photo by Andres MARTINEZ CASARES and SAUL LOEB / various sources / AFP)

A diplomacia chinesa elevou o tom neste domingo ao classificar a detenção de Nicolás Maduro como uma ruptura drástica do direito internacional. Em comunicado oficial emitido pelo Ministério das Relações Exteriores, Pequim exigiu a soltura imediata do líder venezuelano e de sua esposa, Cilia Flores, ambos sob custódia em Nova York após uma incursão de forças especiais norte-americanas na capital venezuelana. Para o governo de Xi Jinping, a investida da Casa Branca não se limitou a uma prisão política, mas configurou um ataque direto à soberania de uma nação independente, agravado por bombardeios estratégicos que serviram de suporte à extração do mandatário.

O posicionamento de Pequim fundamenta-se na defesa do princípio de não intervenção, pilar fundamental das Nações Unidas que, segundo o governo chinês, foi ignorado por Washington. O Ministério das Relações Exteriores manifestou “profundo choque” com a ofensiva, alertando que a iniciativa militar ameaça a paz e a estabilidade na América do Sul. O temor chinês reside na possibilidade de que este precedente estabeleça uma nova era de instabilidade nas relações transcontinentais, onde a força militar substitui os canais diplomáticos na resolução de impasses políticos.

Além das implicações de segurança, o cenário expõe a vulnerabilidade de interesses econômicos vitais. A China atua como o principal suporte financeiro do regime capturado, absorvendo cerca de 80% da produção petrolífera da Venezuela até o momento da intervenção. Com a cúpula do governo venezuelano detida em solo americano, a segurança energética e os vultosos investimentos chineses na região entram em uma zona de incerteza profunda, forçando Pequim a se posicionar não apenas como aliada ideológica, mas como garantidora da ordem institucional no hemisfério ocidental.

Enquanto Maduro e Cilia Flores aguardam os próximos passos do Departamento de Justiça dos EUA em um centro de detenção federal, a comunidade internacional observa o redesenho do tabuleiro geopolítico. A resposta incisiva da China sinaliza que o desdobramento deste evento transcende as fronteiras sul-americanas, desafiando a hegemonia de Washington e colocando à prova a eficácia dos tratados internacionais frente à ação unilateral de uma potência global.

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